Para o vereador Sandro Fantinel (PL), a facilidade que brasileiros tinham em obter a cidadania italiana não refletia com a vontade de contribuir para o país e conectar-se com as raízes deixadas pelos imigrantes que vieram ao Brasil. O parlamentar, que ocupou a tribuna na sessão ordinária desta quarta-feira (2), expressou opinião favorável à decisão do governo italiano em tornar mais rígida a lei que concede o direito à cidadania aos descendentes de italianos nascidos em outros países. O discurso do parlamentar bate de frente, inclusive, com instituições que emitiram nota de repúdio.
Antes do decreto, qualquer pessoa que provasse ser descendente de um italiano vivo após a criação do Reino da Itália, em 1861, poderia solicitar a cidadania sem qualquer limite geracional. Agora, serão aceitas solicitações apenas daqueles que tem um dos pais ou avós nascidos no país europeu. Esta nova regra vale apenas para pedidos feitos a partir do dia 28 de março.
De acordo com Fantinel, a justificativa dada pelo ministro das Relações Exteriores do país, Antonio Tajani, de que “a nacionalidade virou instrumento para poder viajar a Miami com passaporte europeu”, é coerente.
Ele argumentou que durante os 14 anos que morou no país, conheceu outros brasileiros que nem sequer falavam italiano, demonstrando desrespeito com a Itália. Também sugeriu àqueles que desejam residir no país façam como ele, trabalhando e provando real comprometimento com a cultura e a história do país.
A oportunidade também serviu para que o vereador tecesse críticas à burocracia para nascidos no exterior obterem a nacionalidade brasileira. Ele aponta que o processo não é justo para todos, comparando imigrantes que chegaram recentemente e já possuem a nacionalidade brasileira com o filho, que nasceu quando morava na Itália; ele afirmou que foram mais de 12 anos para que ele recebesse a naturalidade brasileira.
Em apartes, Claudio Libardi (PCdoB), graduado em direito e que estudou na Faculdade de Pádua na Itália, explicou que, apesar de já ter entrado em vigor, o decreto vai contra princípio do “jus sanguinis” (direito de sangue), que é constitucional no país, abrindo a possibilidade de ser derrubado. Já Rafael Bueno (PDT) argumentou que o direito à cidadania é também uma forma de reparação às famílias de que foi obrigado a vir ao Brasil em busca da dignidade que o governo italiano não oferecia à época.