
Nos bastidores do mercado financeiro global, Elon Musk voltou a provocar o tipo de tensão que mistura admiração e cautela entre investidores. A possível união entre SpaceX e xAI, revelada por reportagens internacionais, não se apresenta como uma simples reorganização empresarial. Trata-se de uma movimentação estratégica que pode criar um novo paradigma para empresas de tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura crítica.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, a articulação envolve a consolidação de ativos altamente estratégicos das duas companhias privadas, formando uma empresa com capacidade de disputar espaço com gigantes como Microsoft, Google, Nvidia e OpenAI — mas com um diferencial difícil de replicar: controle direto sobre infraestrutura espacial, conectividade global e capacidade computacional distribuída.
Por que Elon Musk estaria disposto a unir SpaceX e xAI
Para entender a lógica da operação, é preciso olhar para o momento atual do mercado. A SpaceX já é considerada a empresa aeroespacial privada mais valiosa do mundo, com contratos bilionários, domínio absoluto em lançamentos reutilizáveis e uma constelação de satélites operando em escala global por meio do Starlink.
A xAI, criada por Elon Musk com foco explícito em competir no topo da inteligência artificial generativa, surge como uma peça complementar. Diferentemente de outras empresas do setor, a xAI nasce integrada a um ecossistema que inclui dados, capacidade de processamento e canais de distribuição já consolidados.
A fusão dessas estruturas cria algo raro: uma empresa verticalizada, capaz de operar do foguete ao algoritmo. Do ponto de vista financeiro, essa integração fortalece a narrativa de longo prazo e amplia significativamente o apetite do mercado por uma futura abertura de capital.
A lógica financeira por trás da avaliação de US$ 1,25 trilhão
A avaliação estimada em US$ 1,25 trilhão, mencionada em análises repercutidas pela Reuters, não surge de projeções fantasiosas. Ela se apoia em três fundamentos claros.
O primeiro é o valor intrínseco da SpaceX, que já vinha sendo negociada no mercado secundário com avaliações superiores a US$ 180 bilhões. A tendência de crescimento do Starlink, especialmente em mercados emergentes e contratos governamentais, adiciona um potencial relevante de receita recorrente.
O segundo pilar é o mercado de inteligência artificial, que vive uma fase de precificação agressiva para empresas com capacidade real de escala. A xAI se posiciona exatamente nesse grupo ao prometer modelos avançados sustentados por infraestrutura própria.
O terceiro fator é o chamado “prêmio Elon Musk”. Historicamente, empresas lideradas por Elon Musk carregam múltiplos elevados por conta da combinação entre inovação, visão de longo prazo e capacidade de execução em larga escala.
Como seria a movimentação até o IPO
De acordo com fontes citadas pela Reuters, a estratégia não prevê um IPO imediato. A fusão funcionaria como uma etapa intermediária cuidadosamente planejada para preparar o terreno financeiro e regulatório.
Esse processo incluiria a reorganização societária, consolidação de ativos estratégicos, definição clara das unidades de negócio e conversas preliminares com grandes fundos institucionais. Esse tipo de abordagem reduz riscos, ajusta expectativas e aumenta a disposição do mercado em aceitar avaliações mais altas no momento da oferta pública.
Chegando aos valores das ações da nova empresa
As projeções que circulam entre analistas apontam para um preço inicial próximo de US$ 527 por ação. Esse valor resulta da combinação entre a avaliação total estimada, o número de ações previstas após a fusão e uma margem estratégica pensada para o pós-IPO.
Na prática, isso colocaria a empresa criada por Elon Musk entre as maiores aberturas de capital da história dos Estados Unidos, superando com folga IPOs recentes do setor de tecnologia e atraindo atenção global de investidores institucionais e fundos soberanos.
O impacto direto no mercado global de IA
Se confirmada, a operação muda o jogo da inteligência artificial. Enquanto concorrentes dependem de data centers terceirizados e cadeias complexas de fornecimento, a empresa resultante teria controle direto sobre conectividade, processamento e distribuição de dados em escala planetária.
Para o mercado, isso significa uma nova categoria de empresa: não apenas uma companhia de IA, mas uma plataforma tecnológica integrada, com capacidade de operar em múltiplos níveis da infraestrutura digital global.
Risco elevado, ambição proporcional
Nenhuma operação desse porte vem sem riscos. Integração de estruturas complexas, escrutínio regulatório e expectativas infladas podem gerar volatilidade. Ainda assim, Elon Musk demonstra mais uma vez disposição para operar em um patamar onde poucos se arriscam.
Caso a fusão avance, o mercado não estará apenas diante de um novo IPO, mas da consolidação de um gigante tecnológico híbrido, capaz de influenciar o futuro da inteligência artificial, da conectividade e da própria lógica de valuation das grandes empresas globais.