BYD derruba Nissan e fecha contrato milionário com o Manchester City
Divulgação Manchester City e BYD

Quando você lê Manchester City no noticiário automotivo, talvez espere só futebol ou marketing, mas a cena que se desenrolou no Etihad Stadium tem mais camadas do que parece. Em uma manhã de fevereiro, executivos da BYD e do próprio Manchester City caminharam pelo centro de imprensa discutindo números que mudam percepções — e isso estava diretamente ligado à forma como uma marca chinesa deslocou uma veterana japonesa no coração de uma das estratégias esportivas mais visíveis do planeta.

Manchester City vira campo de provas da guerra dos elétricos

Quando o Manchester City oficializou a parceria com a BYD no Etihad Stadium, o anúncio não soou como simples troca de patrocinador. O clube encerrou uma relação iniciada em 2014 com a Nissan e, ao mesmo tempo, passou a se alinhar publicamente à montadora que avançou sobre a Tesla no mercado europeu. O que chamou atenção, porém, foi o tom das declarações.

A mudança acontece em um momento simbólico. O Manchester City vive um ciclo de consolidação internacional dentro e fora de campo, enquanto a BYD atravessa expansão agressiva na Europa. A conexão entre os dois universos ficou evidente no discurso adotado por ambas as partes durante o evento de apresentação.

Manchester City reforça compromisso com inovação e sustentabilidade

Ferran Soriano, CEO do City Football Group, foi direto ao explicar a escolha. “A BYD é líder global em seu setor. Líder em oferecer excelência por meio da tecnologia e da inovação. Líder com propósito, para tornar o mundo um lugar melhor.” Ao repetir a palavra “líder”, Soriano deixou claro que a decisão vai além da exposição de marca.

Ele continuou: “Todos valores que o Manchester City compartilha. Como clube, somos movidos por um compromisso com a excelência e uma paixão pela inovação.” A declaração posiciona o Manchester City como organização que pretende ser percebida não apenas como potência esportiva, mas como instituição conectada a transformações tecnológicas.

Além disso, Soriano destacou um ponto estratégico que costuma passar despercebido pelo torcedor comum. “Firmamos parcerias com líderes do setor para criar um futuro mais sustentável ambientalmente, começando por nossas instalações.” Ou seja, o acordo não se limita aos uniformes de treino; ele envolve infraestrutura, energia e visão de longo prazo.

BYD derruba Nissan e fecha contrato milionário com o Manchester City
Divulgação Manchester City e BYD

Uma parceria plurianual com sinal claro de posicionamento

Ao afirmar que o clube se orgulha de ser o parceiro escolhido pela BYD e que trabalhará por “um futuro melhor e mais sustentável durante toda a duração desta parceria plurianual”, Soriano indicou estabilidade e planejamento. Não se trata de contrato pontual, mas de um alinhamento estratégico que acompanha a ambição global do Manchester City.

Essa escolha também dialoga com o momento da indústria automotiva. Após superar a Tesla em vendas de elétricos na Europa, a BYD consolidou um discurso de liderança tecnológica. O Manchester City, ao associar-se a essa narrativa, passa a integrar simbolicamente o mesmo ciclo de ascensão.

Stella Li conecta tecnologia, paixão e impacto global

Do lado da montadora, Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, reforçou o caráter simbólico da união. “O Manchester City representa excelência, inovação e a coragem de ir além dos limites — valores profundamente enraizados no DNA da BYD.” A fala aproxima cultura esportiva e identidade corporativa em uma mesma construção.

Ela avançou além do campo esportivo: “Esta parceria vai além do futebol ou da mobilidade; trata-se de inspirar pessoas em todo o mundo por meio de tecnologia que empolga, conecta e impulsiona um futuro mais sustentável.” A escolha das palavras sugere que o Manchester City funciona como plataforma global de influência.

Ao concluir que “quando a inovação encontra a paixão, o impacto é verdadeiramente global”, Stella Li sintetizou a estratégia: unir visibilidade esportiva e liderança tecnológica para reforçar presença internacional. Assim, o Etihad Stadium deixa de ser apenas palco de jogos e se transforma em vitrine simbólica da disputa global dos elétricos.

No cotidiano do torcedor, a mudança pode parecer apenas troca de logotipo na manga do uniforme de treino. Contudo, ao ouvir as declarações completas, percebe-se que o Manchester City foi inserido no centro de uma narrativa maior, onde excelência esportiva e transformação energética caminham lado a lado.

O gramado continua o mesmo. As cores permanecem familiares. Mas, nos bastidores, a mensagem mudou: o Manchester City não quer apenas vencer partidas. Quer estar associado à ideia de futuro.