
O Corvette ZR1X passa a ocupar um lugar inédito na história da indústria automotiva ao registrar 0–100 km/h em cerca de 1,6 segundo, um número que até pouco tempo era associado exclusivamente a hipercarros elétricos ou projetos experimentais. O dado, divulgado pela própria General Motors após testes controlados em pista, muda o eixo da discussão: carros a combustão — mesmo híbridos — ainda podem redefinir os limites absolutos de aceleração.
Não se trata apenas de um Corvette mais rápido. O Corvette ZR1X se torna uma referência técnica global, capaz de colocar pressão direta sobre fabricantes europeus que dominavam esse território com projetos muito mais caros e complexos.
Corvette ZR1X e o recorde de aceleração
O tempo de 0–100 km/h em aproximadamente 1,6 s é resultado direto de uma combinação rara de fatores: potência extrema, tração integral eletrificada e um sistema de controle de largada desenvolvido especificamente para maximizar aderência sem comprometer confiabilidade mecânica. O teste foi realizado em pista, sob condições controladas, utilizando pneus Michelin Pilot Sport 4S — os mesmos homologados para uso em rua — e gasolina comum, sem preparações artificiais de motor.
Esse ponto é crucial. O Corvette ZR1X não depende de pneus slicks, combustíveis especiais ou ajustes exclusivos de laboratório. O recorde nasce de engenharia aplicada, não de exceções.
Motorização: o V8 biturbo como peça central
No eixo traseiro do Corvette ZR1X está o V8 LT7 5.5 litros biturbo, um motor que foge completamente do estereótipo dos V8 americanos clássicos. Com virabrequim plano, alta rotação e dois turbocompressores de grande eficiência, o conjunto entrega mais de 1.060 cv apenas a combustão.
A resposta desse motor é pensada para uso extremo. O foco não é apenas potência máxima, mas a capacidade de sustentar carga térmica elevada sem perda de desempenho — algo essencial em acelerações repetidas, seja em pista ou arrancadas.
Esse V8 é o responsável por manter o Corvette ZR1X dentro do debate dos carros a combustão, mesmo em um cenário cada vez mais dominado por elétricos puros.
Sistema híbrido e tração integral eletrificada
O que permite ao Corvette ZR1X atingir o recorde de aceleração é a atuação do sistema híbrido no eixo dianteiro. Um motor elétrico independente adiciona cerca de 180 cv, mas sua função principal não é elevar a potência total e sim entregar torque imediato nos primeiros metros.
Diferentemente de sistemas AWD mecânicos, não existe eixo cardã ligando frente e traseira. Toda a distribuição de torque é feita por controle eletrônico, com respostas quase instantâneas. Isso reduz perdas mecânicas e melhora drasticamente a eficiência da largada.
Na prática, o Corvette ZR1X consegue transferir mais de 1.200 cv ao solo de forma controlada, algo que poucos carros de produção conseguem fazer sem patinar ou exigir intervenções agressivas de controle de tração.
Comparação inevitável com Ferrari e Lamborghini
Quando se observa o impacto do recorde de 0–100 km/h, a comparação com rivais europeus se torna inevitável. Modelos como o Ferrari SF90 e o Lamborghini Revuelto utilizam arquiteturas híbridas avançadas e múltiplos motores elétricos para alcançar acelerações extremas.
O Corvette ZR1X, porém, segue um caminho diferente. Sua solução é mais direta e menos dependente de múltiplas camadas de software. Isso se traduz em repetibilidade: o carro consegue reproduzir tempos próximos ao recorde diversas vezes sem degradação acentuada de desempenho.
Enquanto os europeus priorizam sofisticação e exclusividade, o Corvette aposta em eficiência brutal e entrega objetiva de números.




Chassi, aerodinâmica e controle do conjunto
Nenhum recorde de aceleração se sustenta sem uma base estrutural sólida. O Corvette ZR1X utiliza uma evolução do chassi de alumínio da geração C8, com reforços específicos para lidar com cargas longitudinais extremas. A suspensão foi recalibrada para maximizar tração em arrancadas, sem comprometer estabilidade em alta velocidade.
O pacote aerodinâmico também desempenha papel importante. Mesmo em aceleração, a gestão do fluxo de ar ajuda a manter o carro plantado, reduzindo oscilações que poderiam comprometer a transferência de potência.
O impacto real do recorde
Mais do que um número isolado, o 0–100 km/h em 1,6 s reposiciona o Corvette ZR1X dentro do mercado global. Ele passa a ser citado não apenas como um esportivo americano extremo, mas como um dos carros de produção mais rápidos já medidos em aceleração inicial, independentemente da origem.
Esse feito pressiona fabricantes tradicionais e redefine expectativas sobre o que um carro híbrido a combustão ainda pode alcançar. O Corvette ZR1X mostra que a era da combustão ainda tem espaço para feitos históricos — desde que acompanhada de engenharia precisa e foco absoluto em desempenho.
No fim, o recorde não é um ponto final. É um novo parâmetro. E, a partir dele, todos os outros superesportivos passam a ser comparados com o Corvette ZR1X.