“A gente acaba se sentindo um lixo”, diz ativista contra a ‘cura gay’

O dicionário Houaiss, um dos mais conceituados da Língua Portuguesa, define charlatanismo como “a exploração da credulidade pública, inculcando ou…

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17:00 - 28/09/2017

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O dicionário Houaiss, um dos mais conceituados da Língua Portuguesa, define charlatanismo como “a exploração da credulidade pública, inculcando ou anunciando cura por meio secreto ou infalível”. É assim que a maioria dos psicólogos se referem aos métodos terapêuticos que prometem alterar a orientação sexual das pessoas, a chamada “cura gay”. E é contra isso que diversas entidades devem se manifestar no domingo, dia 1º de outubro, a partir das 14 horas, na Praça Dante Alighieri, em Caxias do Sul.

“O protesto não é para afrontar ninguém, e muito menos para obrigar as pessoas a nos aceitar, mas sim para nos respeitar, pois todos nós temos o direito de amar”, declara a porto-alegrense de 30 anos Fran Forlin, lavadora de carros que mora em Caxias do Sul e se assume homossexual há 14 anos.

A iniciativa caxiense se une a uma série de manifestações em todo o país contra uma liminar do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, que atendeu ao pedido da psicóloga Rozangela Alves Justino e concedeu, através de uma liminar, legalidade ao tratamento de reversão sexual, conhecido como “cura gay”. A decisão provocou revolta, sobretudo entre os profissionais da saúde e entre a comunidade LGBTTT. Para os estudiosos da área, não existe tratamento para a homossexualidade, pois não é considerada uma doença, nem tampouco um transtorno.

Esse é o entendimento da psicóloga Marian Martins, que tem formação aplicada na moda e no comportamento, além de ser perita do Tribunal de Justiça. Para ela, esta decisão judicial vai de encontro com a resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe este tipo de tratamento e que, segundo ela, só amplia os casos de homofobia.

Psicóloga Marian Martins. (Foto: Reprodução)

“Eu mesma, como profissional, atendo pacientes gays por outros motivos, seja de depressão, relacionamento, preconceitos, tristezas, e isso nunca foi uma doença”, garante. Ela lembra que há religiões e profissionais pregando a “cura gay” e que grande parte disso se deve à falta de informação. “Uma questão é o tratamento psicoterápico, outra questão é a crença do paciente”, conclui.

Marian explica que, há exatos 18 anos, o Brasil foi posto à frente do resto do mundo ao proibir estas praticas terapêuticas diante dos pacientes homossexuais.

“Para se ter uma ideia, o tratamento, infelizmente, já foi feito (na década de 1950), onde o paciente que ‘precisava’ ser curado era submetido à tortura psicológica, onde sofreria choques. Tratamento de reversão sexual seria uma forma de incentivo, e isso somente reforça o preconceito”, destaca.

Fran Forlin, 30. (Foto: Luis Gustavo Damo/Grupo RSCOM)

Sentindo esse preconceito na pele praticamente todos os dias, Fran se diz preocupada com a liminar, porque além de abrir uma brecha na legislação, dá mais força para as pessoas praticarem o ódio. “A gente acaba se sentindo um lixo, pois se uma mulher apanha, tem lei; se uma criança apanha, tem lei; agora se um homossexual apanha, a lei se omite”, desabafa.

Ela não participa de nenhuma comunidade nem entidade ligada ao movimento LGBTTT, porém, sempre que pode, se envolve em atos à favor da tolerância e da justiça. É por esse ideal que ela se emociona ao falar sobre a mobilização deste fim de semana, que vem ganhando força dia após dia. “Não sabia da proporção que isso ia tomar”.

Imagem de capa do protesto na rede social. (Foto: Reprodução/Facebook)

Serviço
 O quê: Protesto Contra Cura Gay
 Data: Dia 1º de outubro (domingo), às 14h
 Local: Concentração na Praça Dante Alighieri, em Caxias do Sul

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