
Se o seu gato começou a arranhar aquele sofá novinho ou a mesa de madeira que nunca despertou interesse antes, é hora de prestar atenção. Essa mudança repentina de comportamento pode não ser apenas uma “birra felina”. Muitos tutores ignoram os sinais de estresse, tédio ou até problemas de saúde quando o pet altera seus hábitos — e os móveis acabam pagando o preço. Entender o que está por trás desse novo comportamento é fundamental para proteger sua casa e, principalmente, o bem-estar do seu pet.
Mudança de comportamento: por que o gato escolhe novos alvos?
É natural que o gato arranhe superfícies. Faz parte do seu instinto: eles afiam as garras, marcam território e liberam estresse. No entanto, quando o hábito muda de lugar — e ele passa a destruir móveis que antes ignorava — algo está fora do esperado. Pode ser uma resposta emocional, como ansiedade por mudanças no ambiente (novo animal, bebê na casa, ausência do tutor), ou até física, como dores articulares que o fazem procurar posições diferentes para arranhar.
Outro fator comum é a simples insatisfação com o arranhador atual. Ele pode estar mal posicionado, desgastado ou não oferecer a textura que o gato deseja. Como bons observadores, os felinos escolhem locais estratégicos, que oferecem firmeza, visibilidade e… atenção. Se o sofá é o novo palco, talvez o gato esteja tentando dizer algo.
Enriquecimento ambiental: primeiro passo para mudar o foco
Se o gato começa a arranhar novos móveis, a primeira providência é revisar o ambiente onde ele vive. Um animal entediado ou sem estímulo pode transformar móveis em playground.
Crie alternativas atrativas:
- Posicione arranhadores verticais e horizontais próximos aos locais atacados.
- Invista em diferentes texturas: sisal, papelão, carpete.
- Use catnip (erva-do-gato) para tornar os arranhadores mais interessantes.
- Garanta que o arranhador esteja firme e visível: gatos preferem locais de passagem.
Muitas vezes, só trocar o arranhador de lugar já muda o comportamento. Se ele está escondido atrás do armário ou em um canto sem circulação, seu gato vai preferir o braço do sofá — e com razão.
Correções suaves: como ensinar o que pode ou não pode
Mesmo com todos os cuidados, o gato pode insistir no móvel proibido. Nesses casos, aplicar métodos corretivos respeitosos e consistentes é o ideal.
O que fazer:
- Use fita dupla face no local: os gatos detestam a textura.
- Cubra temporariamente o móvel com tecido que dificulte o arranhar.
- Redirecione o comportamento com brinquedos interativos ou recompensas quando ele usar o arranhador.
Evite punições físicas ou gritos. Isso pode gerar ainda mais ansiedade e reforçar o comportamento indesejado. Gatos aprendem por associação positiva, e a chave é transformar o arranhador em algo mais interessante que o sofá.
Sinais de alerta: quando o arranhar indica algo mais sério
Embora seja comum associar o ato de arranhar a um simples hábito, é importante observar outros sinais. Em alguns casos, o novo comportamento do gato pode estar relacionado a dor, frustração ou insegurança.
Fique atento se o arranhar vier acompanhado de:
- Isolamento ou agressividade repentina.
- Miados excessivos ou mudanças na alimentação.
- Recusa em usar a caixa de areia.
- Queda excessiva de pelos.
Esses sinais podem indicar que algo não vai bem com a saúde física ou emocional do animal. A visita a um veterinário comportamental pode esclarecer se há dor crônica, alterações hormonais ou até sinais iniciais de doenças neurológicas.
Cuide do comportamento, não só dos móveis
Mais do que salvar seu estofado, compreender por que o gato mudou sua forma de agir é um gesto de cuidado profundo. Afinal, arranhar é apenas a ponta visível de algo maior: o modo como ele interage com o mundo ao redor. Cada móvel riscado pode estar contando uma história de tédio, frustração ou busca por conexão.
Se você observar e agir com empatia, não só vai preservar sua casa, como também fortalecer o vínculo com seu gato — algo que nenhum móvel substitui.