Golden Retriever roendo tudo! 2 erros na rotina do cão que podem explicar
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Você chega em casa e encontra o pé da cadeira destruído, o chinelo rasgado e aquele canto do sofá irreconhecível. Se o seu Golden Retriever está roendo tudo o que encontra pela frente, o problema pode não ser “falta de educação”, mas sim dois erros comuns na rotina que muita gente nem percebe. E o pior: eles têm relação direta com ansiedade e frustração, duas emoções que esse cãozinho expressa do jeito que sabe — pela boca.

O principal erro é ignorar o tempo de atenção que o Golden Retriever precisa

O Golden Retriever é um cão extremamente sociável, criado originalmente para ajudar caçadores, o que significa que ele tem energia e inteligência acima da média. Quando a rotina não inclui interação suficiente — seja física ou mental — ele vai procurar uma forma de compensar. E aí entra o comportamento de roer tudo.

Muitos tutores acreditam que uma caminhada rápida pela manhã e outra à noite resolvem o problema. Mas não é bem assim. O Golden precisa de desafios mentais, brinquedos interativos, adestramento básico e tarefas simples que o envolvam no dia a dia da casa. Sem isso, ele entra em tédio profundo — e tédio, para um cão dessa raça, é quase uma punição psicológica.

Falta de previsibilidade na rotina aumenta o estresse e o impulso de destruição

Além da falta de atividade, a ausência de uma rotina previsível afeta diretamente o equilíbrio emocional do Golden Retriever. Cães dessa raça se beneficiam muito quando entendem a lógica dos horários: hora de comer, hora de passear, hora de brincar e até hora de descanso. Isso não significa rigidez militar, mas sim consistência nos hábitos.

Quando a alimentação é oferecida de forma aleatória ou o tutor some por horas sem criar um ambiente previsível (como deixar um som ligado, ou um cheiro familiar), o Golden pode desenvolver quadros leves de ansiedade de separação. E a ansiedade, especialmente nas horas ociosas, encontra no ato de roer um alívio imediato — embora destrutivo.

Como o brasileiro lida com isso no dia a dia

Em muitas cidades do interior e bairros mais tranquilos, é comum deixar o Golden Retriever solto no quintal com a ideia de que isso resolve tudo. “Ele tem espaço pra correr”, dizem. Mas espaço vazio não é estímulo. Um quintal sem enriquecimento, sem brinquedos rotativos, sem convivência ativa, vira um tédio de cercas e muros.

Outro ponto típico: o tutor trabalha o dia todo, volta cansado e o único momento de atenção real ao cão é o jantar ou a TV no sofá. O Golden é carente, no melhor sentido da palavra — ele precisa se sentir parte da vida da casa, e não um enfeite animado que só recebe carinho nos intervalos.

Alternativas simples que ajudam — sem virar escravo da agenda

Aqui não se trata de transformar a vida em uma cartilha de adestramento. Mas pequenos ajustes fazem diferença: trocar o brinquedo uma vez por semana, usar uma garrafa pet com petiscos dentro para estimular o faro, ensinar comandos simples como “senta” ou “pega”, incluir o cão em rotinas como buscar o lixo ou subir escadas junto.

Outro ponto: cães entendem pistas ambientais. Se você faz sempre o mesmo som antes de sair (como pegar a chave) e depois some por horas, o estresse começa ali. Tente criar rituais de despedida mais neutros e menos impactantes. E, se possível, deixe o ambiente com cheiros que o cão associa a você, como uma camiseta usada.

A mordida não é o problema — é o sintoma

Quando o Golden Retriever destrói algo, ele não está sendo “do contra” ou vingativo. Ele está tentando dizer algo que, por falta de espaço emocional na rotina, não consegue expressar de outro jeito. Roer é o canal que ele encontra para aliviar a frustração ou ocupar a mente.

Ao invés de punições, o ideal é identificar o que falta — tempo de qualidade, previsibilidade, interação ou desafio. Mudar o ambiente, observar padrões de comportamento e testar novas estratégias pode não apenas resolver o problema dos móveis mordidos, mas melhorar o vínculo entre tutor e cão de forma muito mais sólida.

O olhar por trás do estrago

Ver o pé da cadeira destruído pode gerar raiva imediata, claro. Mas quando a gente se pergunta o que está por trás desse comportamento, o olhar muda. O Golden Retriever é um cão que ama estar perto, fazer parte, aprender, acompanhar. Quando isso lhe é negado, ele fala do jeito que sabe: com os dentes.

Não se trata de tratar o cachorro como um humano, mas de entender que o comportamento destrutivo é, na verdade, um pedido por conexão. E a partir do momento que o tutor reconhece isso, começa uma nova fase — de escuta, adaptação e, claro, menos móveis roídos.