
Nova Prata e Rio Grande do Sul - “Vem aqui.” Essas foram as duas últimas palavras que a ex-vereadora de Nova Prata e diretora administrativa da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer, Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos, enviou à sua mãe pelo WhatsApp antes de ser assassinada. O crime ocorreu na madrugada do último sábado (21), no apartamento da vítima, localizado na Avenida Presidente Vargas, área central do município da Serra Gaúcha. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio, tendo como autor Ari Albuquerque, ex-companheiro de Roseli, que também foi encontrado morto no local.
O pedido de socorro ignorado
De acordo com as investigações, Roseli tentou pedir ajuda de todas as formas. Além da mensagem de texto, ela também tentou ligar para a mãe por volta das 3h30 da madrugada. No entanto, a idosa não atendeu porque dormia. Mais tarde, ela acordou com uma chamada telefônica do suspeito. Sem conseguir retorno de nenhum dos dois, a mãe decidiu ir até o apartamento da filha. Ao chegar, encontrou a porta trancada e acionou a Brigada Militar.
A cena do crime
Uma guarnição da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar entrou no imóvel. No quarto de Roseli, os agentes encontraram os dois corpos. A perícia preliminar apontou que a ex-vereadora morreu por estrangulamento. Já o ex-companheiro apresentava um corte no pescoço, provocado por uma faca. O filho do casal, um jovem de 26 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dormia em outro cômodo do apartamento. Ele não presenciou os fatos e agora está sob os cuidados da avó materna.
Relacionamento conturbado e ameaças
O casal permaneceu unido por quase 30 anos, mas vivia separado há cerca de seis meses. Em depoimento à Delegacia de Polícia de Nova Prata, pessoas próximas à vítima relataram que Roseli sofria ameaças no contexto de violência doméstica. Apesar disso, não havia qualquer medida protetiva de urgência registrada entre as partes.
A delegada Liliane Pasternak Krann, responsável pelo caso, explicou que Ari Albuquerque mantinha as chaves do apartamento da ex-esposa mesmo após a separação. “Apesar de separados, ainda aparentavam manter um relacionamento amigável. Por isso, o homem ainda tinha as chaves do apartamento. Além disso, era funcionário do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mostrando-se acima de qualquer suspeita, pelo menos aos olhares externos”, ponderou a delegada. Ela acrescentou que o casal tinha um histórico bastante conturbado, embora não houvesse registro policial formal nesse sentido.
Violência doméstica e alerta
O caso de Roseli expõe mais uma vez as fragilidades no enfrentamento à violência doméstica. Especialistas alertam que o período de separação figura entre os momentos de maior risco para mulheres em relacionamentos abusivos. A manutenção de acesso ao imóvel, a ausência de medidas protetivas e a aparente normalidade do relacionamento podem mascarar um perigo iminente.
A delegada reforça que qualquer sinal de violência ou ameaça deve ser denunciado imediatamente. Os canais de atendimento incluem o 190 (Brigada Militar) e o 180 (Central de Atendimento à Mulher). A denúncia pode ser anônima e salvar vidas.
Desfecho
A comunidade de Nova Prata permanece consternada com a tragédia. Roseli era figura conhecida na cidade, tendo exercido mandato de vereadora e ocupado cargo de destaque no governo estadual. Seu sepultamento ocorreu em cerimônia reservada. A Polícia Civil agora aguarda os laudos periciais para concluir o inquérito e detalhar as circunstâncias exatas do crime.