
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu um duro revés em sua política comercial nesta sexta-feira (20). Por 6 votos a 3, a Suprema Corte norte-americana declarou ilegal as amplas tarifas globais impostas por Trump sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Os juízes entenderam que o presidente excedeu sua autoridade ao utilizar essa legislação para justificar as sobretaxas .
Em resposta imediata à decisão, Trump anunciou que emitirá um decreto baseado na Seção 122 da Lei Comercial de 1974. Dessa forma, ele imporá uma tarifa global de 10% sobre todas as importações por um período de 150 dias. O novo mecanismo legal, nunca utilizado antes na história dos EUA, permite ao presidente impor tarifas de até 15% por até 150 dias. O objetivo? Enfrentar questões “graves e sérias” de balança de pagamentos, sem exigir investigações prévias ou outros limites processuais .
“Temos alternativas, ótimas alternativas”, declarou Trump em entrevista coletiva na Casa Branca. “Podemos arrecadar mais dinheiro. Vamos arrecadar mais dinheiro e ficaremos muito mais fortes por causa disso”, afirmou o presidente sobre as medidas alternativas .
O teor da decisão da Suprema Corte
O presidente da Suprema Corte, John Roberts, redigiu a opinião majoritária. Em seu texto, destacou que os fundadores da constituição americana concederam “ao Congresso apenas” o poder de impor tarifas em tempos de paz. Roberts argumentou que o presidente alegava o poder extraordinário de “impor tarifas de montante, duração e escopo ilimitados unilateralmente”. No entanto, diante da amplitude dessa autoridade, seria necessário identificar “autorização clara do Congresso” para exercê-la .
A decisão representa uma vitória para pequenas empresas e estados que processaram a administração Trump, questionando a legalidade das medidas . O caso não afeta, no entanto, as tarifas setoriais impostas sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Essas taxas incidem sobre importações de aço, alumínio e automóveis com base em questões de segurança nacional.
O futuro das negociações comerciais
Trump deixou claro que espera a continuidade de muitas negociações em andamento. “Os países que nos trataram muito mal por anos podem ver tarifas mais altas”, advertiu. Para outros, no entanto, “será muito razoável para eles” .
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que as novas tarifas de 10% e as potenciais tarifas aprimoradas sob a Seção 301 resultarão em receita tarifária praticamente inalterada em 2026. “Voltaremos ao mesmo nível tarifário para os países. Será apenas de uma maneira menos direta e um pouco mais complicada”, explicou Bessent .
Implicações para o futuro
A decisão da Suprema Corte representa uma intervenção direta no núcleo da estratégia econômica e diplomática da Casa Branca. Com isso, abre-se um novo capítulo de tensão entre os poderes executivo e judiciário . O economista-chefe da EY-Parthenon, Gregory Daco, estima que a anulação das tarifas reduzirá significativamente a alíquota média aplicada às importações. Os números cairiam de cerca de 16,8% para aproximadamente 9,5% .
Se a administração Trump buscar manter ou restabelecer as tarifas anuladas além do período temporário de 150 dias, precisará de uma ação legislativa por meio do Congresso. Esse processo, contudo, tende a se mostrar politicamente complexo e demorado .