Tragédia climática provoca queda de 7,2% na economia de Caxias do Sul em maio

Dados da CIC e CDL indicam que, em comparação com abril, os três setores fecharam o período de ápice das chuvas com retrocesso: indústria, em -7,6%, comércio, -5,5%, e serviços, -7,3%

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13:22 - 04/07/2024

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Tragédia climática provoca queda de 7,2% na economia de Caxias do Sul em maio

Foto: Denise Suzin Borges/CIC Caxias

A calamidade implicada pela tragédia climática resultou em uma queda de 7,2% na economia de Caxias do Sul em maio, na comparação com abril deste ano. Os três setores fecharam o período de ápice das chuvas com retrocesso: indústria, em -7,6%, comércio, -5,5%, e serviços, -7,3%. Os dados foram detalhados em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (4), pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Segundo o diretor de Planejamento, Economia e Estatística da CIC Tarciano Mélo Cardoso, era esperada uma desaleração ainda maior, na faixa dos dois dígitos, por não haver uma dimensão específica do tamanho da catástrofe. Ou seja, o resultado surpreendeu. Em Caxias, o especialista observa que impactos principais foram ocasionados pela quantidade excessiva de chuva.

“Se olharmos por setores, Caxias não foi toda catástrofe, mas choveu muito. As pessoas saem menos para a rua, isso impacta o comércio e, de certa forma, os serviços, como restaurantes e a parte de lazer. A indústria teve uma parada de alguns dias, teve um retrocesso de faturamento no mês porque alguns pedidos de produtos foram cancelados em função de não poderem ser entregues”, explica.

O diagnóstico também ilustra os desafios causados por bloqueios logísticos, atrasos no fornecimento, redução na demanda e indisponibilidade de sistemas. Além de estarem por trás dos números de maio, esses fatores geram incertezas em relação ao desempenho de junho.

“Outro ponto que acreditamos que terá impacto são os resultados nas empresas. Uma coisa é olharmos em termos de crescimento de produção, de vendas, de volume produzido. Outra é o custo da produção, esse sim tivemos impacto, porque matérias primas tiveram que fazer o triplo do trajeto para chegar até aqui. Isso é custo logístico e vai impactar nos balanços das empresas”, afirma Cardoso.

Desempenho da economia caxiense | Fonte: CIC Caxias/divulgação
Desempenho da economia caxiense | Fonte: CIC Caxias/divulgação

 

Na relação maio de 2024-maio de 2023 também houve baixa. Entretanto, o indíce foi de 5,3%, com registros positivos em serviços (8,9%), indústria (4,1%) e comércio (3%). Ainda, o acumulado do ano demonstra um aquecimento econômico geral de 10%, enquanto o acumulado de 12 meses apresenta evolução de 5,5%.

“São fatores que chamam a atenção. Maio de 24 foi melhor que maio de 23, e quando olhamos no ano também temos esse crescimento, o que demonstra uma solidez maior e nos traz otimismo. No acumulado de 12 meses temos uma performance melhor que o Estado e que a União. Então a economia de Caxias teve impactos sim, mas não impactos severos como no resto do Estado”, disse o diretor da CIC.

Ele alerta, ainda, que uma provável redução no consumo por parte da região dos Vales — afetada significativamente por alagamentos — surtirá efeitos à longo prazo na economia do município da Serra.

Empregos e mercado externo

Em maio, o mercado de trabalho formal em Caxias do Sul apresentou um saldo negativo de 98 empregos, com 7.602 admissões e 7.700 desligamentos, resultando em um estoque total de 169.207 empregos. O setor de comércio foi o único a registrar saldo positivo, com 212 novas vagas.

As atividades ligadas ao comércio internacional também foram impactadas, conforme os especialistas. O saldo da balança comercial aumentou, em maio, 1,8% em relação a abril de 2023, mas caiu 61,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

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