Reino Unido e o mundo dão adeus a Elizabeth II no ‘funeral do século’

Cerimônia foi realizada nesta segunda-feira, 19, e reuniu centenas de pessoas, incluindo líderes mundiais

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19:40 - 19/09/2022

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Reino Unido e o mundo dão adeus a Elizabeth II no ‘funeral do século’

Foto: Danny Lawson/Pool via REUTERS

Reino Unido e o restante do mundo se despediram, nesta segunda-feira (19), da rainha Elizabeth II. Em um funeral aberto ao público e televisionado, milhões de pessoas acompanharam a cerimônia de despedida, iniciada em Abadia de Westminster e finalizada na Capela de São Jorge, em Windsor, na cripta real onde repousam seus pais e marido. Estima-se que 4,1 bilhões de pessoas tenham acompanhado ao funeral da rainha pela televisão ou pelas redes sociais no mundo todo. A cerimônia começou às 11h (7h no horário de Brasília).

Um cortejo, seguido a pé pelos filhos da rainha, incluindo rei Charles III, e os netos, Harry e William, foi realizado até Abadia de Westminster, onde cerca de duas mil pessoas estavam presentes para dar o último adeus a monarca. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o líder dos Estados Unidos, Joe Biden, membros de outras realezas da Europa e outros líderes mundiais, incluindo a premiê britânica, Liz Truss, que participou da segunda leitura da cerimônia, estavam presentes. Abadia de Westminster foi onde Elizabeth II foi coroada e se casou com Príncipe Philip, que faleceu em 2021.

“Agora reunimos, milhares de pessoas de todo o mundo, para lamentar sua perda”, disse o arcebispo Justin Welby, que também exaltou a monarca diante de Deus ao lembrar a promessa que ela realizou quando assumiu o trono. Ela se dedicou a servir a nação e a Commonwealth. “Raramente tal promessa foi tão bem cumprida”, disse o arcebispo. “O exemplo de Sua falecida Majestade não foi dado por sua posição ou ambição, mas por quem ela seguiu. Sei que Sua Majestade compartilha a mesma fé e esperança em Jesus Cristo que sua mãe; o mesmo sentido de serviço e dever”, acrescentou.

Na parte final da cerimônia, todo o país respeitou dois minutos de silêncio, das ruas aos parques, incluindo os pubs, onde muitos acompanharam a cerimônia pela televisão. O funeral de Estado terminou com o hino nacional, “Deus salve o Rei”, cantado em homenagem ao novo monarca Charles III, que não aguentou e chorou durante o funeral da mãe. Em seguida o rei acompanhou a pé, com os irmãos Anne, Andrew e Edward, além dos filhos William e Harry, a saída do caixão, coberto com a bandeira da monarquia, a coroa imperial, o cetro e o orbe, por uma procissão de quase dois quilômetros no centro de Londres.

Em um ato inédito, decidido na noite anterior, segundo a imprensa local, os bisnetos da monarca, o príncipe George, de 9 anos, segundo na linha de sucessão, e sua irmã Charlotte, de 7 anos, seguiram o cortejo no primeiro de vários automóveis oficiais, ao lado de sua mãe Catherine e da nova rainha consorte, Camilla. O caixão foi transportado em uma carreta da Royal Navy (Marinha Real) que, ao som das marchas fúnebres de Beethoven, Mendelssohn e Chopin, seguiu acompanhada por militares até o Arco de Wellington, no Hyde Park Corner, onde o caixão foi colocar em um carro fúnebre e seguiu rumo ao Castelo de Windsor. O carro fúnebre chegou a capela de São Jorge coberto com as flores jogadas pela multidão durante sua viagem de Londres. Os cães da monarca, Muick e Sandy, que agora estão sob cuidados do Príncipe Andrew e sua esposa, Sarah Ferguson, estavam esperando Elizabeth II em Windsor.

Na capela de São Jorge, uma igreja do século XV, conhecida por ter sido cenário dos últimos casamentos reais, foi organizada mais uma cerimônia religiosa com 800 convidados, incluindo funcionários que trabalhavam para a rainha. No local, a coroa, o orbe e o cetro, símbolos da monarquia, foram retirados de cima do caixão, o rei Charles III, colocou em cima do caixão a Cor do Acampamento da Companhia da Rainha, uma bandeira dos Guardas Grandeiras, e o Lord Chamberlain quebrou a varinha, ato que marcou o fim do reinado da monarca. Ao som de um flautista e de “God save the King”, a rainha Elizabeth II está sendo lentamente abaixada para o cofre real.

A partir de agora, a cerimônia será privada para membros familiares e não terá mais transmissão. A participação do gaiteiro em Windsor foi um desejo pessoal da manorca, informou o Palácio de Buckingham. Depois, membros da família real partiram rumo a uma cerimônia privada, onde às 19h30 (15h30) a rainha foi sepultada no “Memorial George VI”, um anexo onde foram enterrados seus pais e as cinzas de sua irmã Margaret. O caixão de seu marido, o príncipe Philip, será enterrado ao lado dela, depois de ser transferido da cripta real, onde está desde sua morte em abril de 2021.

Centenas de britânicos acordaram cedo para garantir um espaço para acompanhar o funeral da rainha Elizabeth II, realizado nesta segunda-feira, 19, e “fazer parte da história”. Mesmo as baixas temperaturas não expulsaram quem estava lá. Antes das 7h (3h em Brasília), o público já estava lotado em torno do Palácio de Buckingham e da Abadia de Westminster, onde a cerimônia religiosa começou às 11h. “Eu queria fazer parte. É um grande dia da nossa história, isso faz parte de nossas vidas”, disse à Susan Davies, 53 anos, que chegou às 6h30 no Hyde Park Corner, vinda de Essex, ao leste de Londres, com o marido e dois filhos adolescentes. “Eu quero fazer parte da História”, afirma Jack, seu filho de 14 anos, que deseja explicar o evento às futuras gerações. “Falarei deste momento com meus filhos. Direi a eles: Estava lá!”.

Um pouco depois na fila, Calon Thompson, um estudante de cinema de 20 anos e morador de Bedford (norte de Londres), espera assistir ao funeral ao vivo com seu celular, já que queria ver a passagem “do caixão e da família real”. Ele chegou às 06h da manhã. “Queríamos estar na primeira fila. Pensávamos que estaríamos em meio à multidão, mas estamos aqui, no melhor lugar, com a melhor vista. Fantástico!”, afirmou, descrevendo uma atmosfera “muito emocionante, mas também triste”. Algumas pessoas passaram a noite, como Bethany Beardmore, contadora de 26 anos, que chegou às 21h de domingo para não perder “uma parte da História”. “Fazia frio, nós não dormimos”, mas “havia um clima agradável, todo mundo conversava”, explica o homem, que aguentou a fila graças ao açúcar e à cafeína.

Fonte: Jovem Pan

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