Proprietário de empresa é preso por trabalho análogo à escravidão em Bento Gonçalves

O homem, que tem 45 anos e é natural do município de Valente, na Bahia, foi encaminhado à Polícia Federal de Caxias do Sul.

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07:52 - 23/02/2023

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Proprietário de empresa é preso por trabalho escravo em Bento Gonçalves

(Foto: Leon Sanguine/Grupo RSCOM)

Foi preso na noite da quarta-feira (22), o proprietário da empresa responsável por contratar os trabalhadores que foram encontrados em situação análoga à escravidão em Bento Gonçalves. O homem, que tem 45 anos e é natural do município de Valente, na Bahia, foi encaminhado à Polícia Federal de Caxias do Sul.

A empresa possui contratos com diversas vinícolas da região. Agora, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) irá analisar individualmente os direitos trabalhistas de cada trabalhador para buscar a devida compensação pelos trabalhos realizados no período.

Relembre o caso

Uma ação de órgãos federais resgata pessoas que atuavam na colheita da uva e abate de frangos em Bento Gonçalves na noite desta quarta-feira (22). A investigação aponta para trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Centenas de trabalhadores foram encontrados nesta ação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os agentes fizeram buscas em uma pousada, na Rua Fortunato João Rizzardo, no bairro Borgo, onde os trabalhadores ficam hospedados. As condições dos quartos são visivelmente deploráveis. Os cômodos reduzidos eram utilizados por vários trabalhadores ao mesmo tempo. A sujeira, a desordem e o cheiro lembram cenas vistas em presídios superlotados.

Segundo os relatos, os trabalhadores precisavam atuar das 5h às 20h, com folgas apenas aos sábados, e recebiam comida estragada. As denúncias apontam que os trabalhadores só podiam comprar produtos em um mercado no próprio local, com preços superfaturados e que o valor gasto era descontado no salário. Desta forma, eles terminavam o mês devendo, pois o consumo superava o valor da remuneração.

Os trabalhadores também relatam que eram impedidos de deixar o trabalho, justamente em razão da tal dívida. Outras denúncias afirmam que os empregadores ameaçavam as famílias dos homens que ficaram na Bahia.

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