Polícia pede internação de adolescente por suspeita de agredir cão comunitário "Orelha" até a morte em Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu à Justiça a internação provisória de um adolescente. O jovem é suspeito de agredir o cão comunitário “Orelha” na Praia Brava, em Florianópolis. O animal morreu após as lesões da madrugada do dia 4 de janeiro.

Santa Catarina - O jovem responderá por um ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. Além disso, a polícia encaminhou o inquérito ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta terça-feira (3).

A morte do cão “Orelha”

Moradores encontraram o animal, conhecido no bairro turístico, gravemente ferido na manhã do dia 5 de janeiro. Embora uma clínica veterinária o atendesse, “Orelha” não resistiu aos ferimentos.

Laudos periciais apontaram uma pancada contundente na cabeça do cão. A lesão possivelmente veio de um chute ou de um objeto rígido, como um pedaço de madeira.

Investigações e contradições

O delegado Renan Balbino, responsável pelo caso, afirmou que o adolescente se contradisse. O jovem disse que estava dentro do condomínio, mas câmeras de segurança e testemunhas o colocam na praia no horário da agressão.

“Ele se omitiu e contradisse fatos importantes em diversos momentos”, disse o delegado. A polícia mantém o sigilo absoluto sobre a identidade do suspeito, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O que diz a defesa

Os advogados do adolescente, Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, questionaram as provas em uma nota. Eles alegam que as informações públicas são “elementos meramente circunstanciais”.

Segundo a defesa, esses elementos “não constituem prova” e “não autorizam conclusões definitivas”. Eles também reclamam por não terem acesso completo ao inquérito e criticam a “politização do caso”.

Entenda: ato infracional e internação

Para adolescentes, uma conduta criminosa se classifica como ato infracional. A internação provisória equivale à prisão preventiva para adultos e pode durar até 45 dias.

Caso autoridades confirmem o ato, as medidas podem ir de uma advertência até a internação, com limite de três anos. No entanto, a internação só vale para casos graves, como os que envolvem violência ou reincidência.

Agora, o MPSC analisará o pedido da polícia. Em seguida, o órgão decidirá se pede a medida ao juiz da Vara da Infância e Juventude. O caso gerou grande comoção e reacendeu o debate sobre a proteção animal.