
A morte do narcotraficante mais procurado do México mergulhou o país em um domingo (22) de terror. Depois que as forças especiais mexicanas mataram Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), seus aliados desencadearam uma onda de violência. Como resultado, pelo menos 25 integrantes da Guarda Nacional morreram, e diversas regiões do país paralisaram suas atividades.
O saldo da violência
O secretário de Segurança do México, Omar García Harfuch, informou que os ataques coordenados pelo cartel mataram 25 agentes da Guarda Nacional em seis ocorrências distintas no estado de Jalisco. Além disso, criminosos também assassinaram um agente prisional e um funcionário do Ministério Público estadual. As forças de segurança revidaram e mataram cerca de 30 suspeitos que participavam das ações violentas em Jalisco e outros quatro em Michoacán.
O governo mexicano contabilizou aproximadamente 250 bloqueios em 20 dos 31 estados do país. Criminosos incendiaram veículos, incluindo ônibus e caminhões, para interditar rodovias e acessos a cidades. Em algumas regiões, relatos indicavam que o cartel chegou a oferecer 20 mil pesos por cada militar assassinado.
Operação de inteligência e morte de El Mencho
A localização de El Mencho, foragido há anos e com recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos, tornou-se possível graças ao monitoramento de uma pessoa de confiança de uma de suas parceiras amorosas. As Forças Armadas Mexicanas realizaram a operação no povoado de Tapalpa, em Jalisco, no último sábado (21), com o apoio de informações adicionais fornecidas pela inteligência dos EUA.
No domingo (22), os militares tentaram capturá-lo, mas os seguranças do traficante os receberam a tiros. No primeiro confronto, oito suspeitos morreram. El Mencho e dois guarda-costas conseguiram fugir para uma área de vegetação rasteira, porém as forças de segurança os localizaram novamente. No segundo tiroteio, o líder do cartel e seus seguranças ficaram gravemente feridos. Disparos atingiram um helicóptero militar, que precisou fazer um pouso de emergência.
Socorristas militares prestaram os primeiros atendimentos e transportaram os feridos de helicóptero para um centro médico em Jalisco. No entanto, El Mencho não resistiu aos ferimentos e morreu durante o transporte, assim como seus dois seguranças . Ao todo, 15 suspeitos ligados ao cartel morreram nos confrontos, e três militares mexicanos ficaram feridos.
Caos e medo em cidades turísticas
O cartel reagiu imediatamente com violência, gerando pânico em diversas regiões. No badalado balneário turístico de Puerto Vallarta, na costa de Jalisco, turistas descreveram a situação como uma “zona de guerra”. Colunas de fumaça negra subiam de veículos incendiados, e relatos de homens armados nas ruas se espalharam. Milhares de turistas ficaram temporariamente presos em resorts e hotéis.
O Aeroporto Internacional de Guadalajara e o de Puerto Vallarta suspenderam suas operações. Companhias aéreas como United Airlines, American Airlines, Air Canada e Aeroméxico cancelaram dezenas de voos. O governo do estado de Jalisco emitiu um alerta vermelho, suspendeu o transporte público e orientou a população a não sair de casa. Escolas em diversos estados cancelaram as aulas como medida de precaução.
Os Estados Unidos, por meio de sua embaixada, recomendaram que seus cidadãos em partes do México, incluindo Jalisco, Michoacán, Guerrero e Tamaulipas, procurassem abrigo e evitassem sair às ruas. O Canadá também atualizou suas recomendações de viagem, pedindo que seus cidadãos se mantivessem em local seguro.
Quem era El Mencho
Ex-policial, Nemesio Oseguera Cervantes, de 59 anos, comandava o Cartel Jalisco Nueva Generación, uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México. Sob sua liderança, o cartel se diversificou para além do tráfico de drogas. Passou a atuar em extorsão, roubo de combustível, tráfico de pessoas e complexas fraudes financeiras. Conhecido por sua brutalidade, o CJNG foi pioneiro no uso de drones para ataques e já havia derrubado uma aeronave militar com um foguete. Os EUA o consideravam um dos maiores responsáveis pelo fluxo de fentanil para o país.