Bento Gonçalves e Rio Grande do Sul - Moradores dos bairros Vila Nova 1, 2, 3 e Loteamento Peruffo, em Bento Gonçalves, divulgaram uma nota pública nesta semana para expressar sua insatisfação com a atual situação dos acessos à comunidade. Localizada em área de declive acentuado, a região vive um verdadeiro imbróglio urbanístico que afeta diretamente o dia a dia de centenas de famílias.

O problema

A comunidade está situada em um vale e historicamente contou com três acessos principais pela parte superior. Na parte inferior, existia há cerca de 30 anos uma estrada de chão — inicialmente uma picada cedida por proprietários locais. Recentemente, esse trecho recebeu melhoramentos realizados pelos próprios moradores e proprietários, servindo como via de ligação até a Rua Avelino Signor. Por ali, era possível acessar diretamente o bairro Barracão, as áreas de parreirais, o entorno do presídio estadual e comunidades vizinhas, facilitando o deslocamento de trabalhadores, estudantes e produtores rurais.

Em 2025, a prefeitura construiu uma nova via ligando o eixo principal do Vila Nova à Rua Avelino Signor. No entanto, os moradores apontam que a rua possui declive extremamente acentuado, oferecendo riscos significativos à segurança.

O acidente que escancarou o perigo

O alerta se confirmou em janeiro deste ano. Um acidente envolvendo uma van que perdeu os freios ao descer a via resultou em prejuízos materiais e feridos. O caso ganhou repercussão na mídia local . Após o ocorrido, a via foi interditada.

A Prefeitura de Bento Gonçalves informou, na ocasião, que o trecho onde aconteceu o acidente não possuía autorização para o tráfego de veículos e que o fechamento do local havia sido solicitado ainda em dezembro. Moradores, no entanto, questionam a falta de sinalização e fiscalização prévia.

Alternativa bloqueada e isolamento

Como alternativa, a comunidade passou a utilizar a antiga estrada de chão — reorganizada e ampliada com autorização dos proprietários e apoio de uma construtora local. A via garantia acesso mínimo aos moradores, especialmente aos que trabalham na região do Barracão, Caminhos de Pedra e Pinto Bandeira.

Recentemente, no entanto, esta via alternativa também foi embargada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Bento Gonçalves (IPURB). O resultado, segundo os moradores, é grave:

  • Moradores ficaram sem acesso direto à região do Barracão
  • Trabalhadores precisam fazer um desvio extenso, saindo pela parte alta do bairro (próximo à Fenavinho) e descendo pela BR, o que aumentou significativamente o trajeto diário
  • O custo com combustível praticamente triplicou para muitas famílias
  • O tempo de deslocamento aumentou, impactando rotina, trabalho e renda

Os questionamentos da comunidade

Na nota pública, os moradores fazem uma série de questionamentos às autoridades:

“Se a via principal foi autorizada, por que foi liberada sem que fossem considerados os riscos técnicos do declive? Se hoje há impedimento por questões de segurança, por que isso não foi avaliado previamente? Por que a alternativa que vinha sendo utilizada pela comunidade também foi bloqueada, sem apresentação clara de solução definitiva?”

A comunidade afirma que não busca conflito político, mas resposta técnica, transparência e solução prática. “A comunidade precisa de acesso seguro e funcional”, destacam.

Reivindicações

Os moradores pedem aos vereadores de Bento Gonçalves, à Prefeitura Municipal e aos órgãos responsáveis que esclareçam oficialmente a situação e apresentem alternativas viáveis para minimizar os prejuízos enfrentados diariamente.

Eles também solicitam apoio das rádios e meios de comunicação locais para dar visibilidade ao tema, classificando a questão como um problema de mobilidade urbana, segurança pública e dignidade dos trabalhadores.

O desfecho deste impasse ainda depende de uma posição oficial do poder público. Enquanto isso, centenas de famílias seguem enfrentando desvios diários, custos elevados e a insegurança de não ter uma via adequada para trafegar.