Influenciadora acusada de intolerância religiosa após associar tragédia no RS a religiões de matriz africana vira ré

Michele responderá pelo crime de praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional

Publicado por
06:30 - 06/06/2024

Compartilhar:

Facebook Twitter Whatsapp

Foto: Reprodução

A empresária e influenciadora Michele Mendonça Dias Abreu, acusada de intolerância religiosa, foi formalmente indiciada pela Justiça. A denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi aceita, e Michele responderá pelo crime de praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

A decisão judicial, assinada pelo juiz Paulo Victor de Franca Albuquerque Paes, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Governador Valadares, destaca que há provas suficientes para justificar a instauração da ação penal. “O suporte probatório que lastreia a peça acusatória é capaz de evidenciar a justa causa para instauração da ação penal em desfavor da denunciada, a materialidade e os indícios de autoria do fato noticiado nestes autos, o qual, em tese, constitui infração penal”, afirma um trecho da decisão.

A acusação surgiu após Michele publicar um vídeo em suas redes sociais, em 5 de maio, no qual associava os temporais que devastaram o Rio Grande do Sul, afetando 2,3 milhões de pessoas e resultando em mais de 170 mortes, à “ira de Deus”. Ela afirmou que o estado, com o maior número de terreiros de religiões de matriz africana, estava sofrendo consequências por essa razão. “O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de terreiros de macumba. Alguns profetas já estavam anunciando algo que iria acontecer devido à ira de Deus. As pessoas estão brincando, […] misturando aquilo que é santo, e Deus não divide sua honra com ninguém”, disse Michele no vídeo.

A publicação, compartilhada com seus quase 32 mil seguidores, alcançou 3 milhões de visualizações, segundo o Ministério Público. As declarações de Michele foram amplamente criticadas e vistas como um exemplo flagrante de intolerância religiosa, resultando na denúncia que agora avança na Justiça.

Compartilhe nas suas redes

Facebook Twitter Whatsapp