
Nova Prata e Rio Grande do Sul - Uma grave ocorrência chocou os moradores de Nova Prata, na Serra Gaúcha, na madrugada deste sábado (21). Por volta das 3h30min, a ex-vereadora e diretora administrativa da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado, Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos, foi morta em seu apartamento no centro da cidade. O principal suspeito, seu ex-marido Ari Albuquerque, apareceu sem vida no mesmo local.
De acordo com a Polícia Civil, Roseli morreu por estrangulamento. Imediatamente, a Brigada Militar isolou a área para a realização da perícia. Em seguida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou os óbitos no local.
O que se sabe até agora
Conforme informações preliminares da delegada Liliane Pasternak Kramm, responsável pelo caso, Roseli e Ari estavam em processo de separação após 28 anos de casamento. Apesar de não morar mais no imóvel, o ex-marido ainda possuía a chave do apartamento, o que facilitou o acesso à vítima.
Um detalhe que chama a atenção das autoridades: não havia registros recentes de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) entre o casal. A ausência de medidas protetivas, no entanto, não impede a tipificação do crime como feminicídio. Afinal, as circunstâncias envolvem violência doméstica e familiar contra a mulher.
Como a polícia chegou ao local
A Brigada Militar recebeu o chamado depois que a mãe de Roseli relatou ter recebido uma mensagem da filha instantes antes do ocorrido. O conteúdo da mensagem não foi divulgado pela polícia para não atrapalhar as investigações.
Quando as guarnições chegaram ao endereço, encontraram as duas pessoas já sem vida. Desde então, o local permanece isolado para os trabalhos da perícia. Os peritos deverão apontar detalhes sobre a dinâmica do crime e confirmar a causa da morte do autor.
Quem era Roseli
Roseli Vanda Pires Albuquerque tinha 47 anos e construiu uma trajetória marcante na política e no serviço público de Nova Prata. Ela exerceu mandato de vereadora no município e, posteriormente, candidatou-se a vice-prefeita pelo PSD. Atualmente, ocupava o cargo de diretora administrativa da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul.
Filiada ao PSD, tornou-se muito conhecida na região pela atuação política e comunitária. Roseli deixa um filho de 26 anos, fruto do relacionamento com Ari.
Investigação em andamento
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Nova Prata, investiga o caso como feminicídio. As autoridades aguardam os laudos periciais para esclarecer pontos como:
- A dinâmica exata do crime
- O intervalo de tempo entre as mortes
- Se houve luta ou sinais de defesa por parte da vítima
- A motivação do ex-marido para cometer o ato
A delegada Liliane Pasternak Kramm coordena as investigações. Nos próximos dias, ela deve ouvir testemunhas, incluindo familiares e vizinhos que possam contribuir com informações sobre o relacionamento do casal.
Alerta para o feminicídio no RS
O caso de Nova Prata acende mais um alerta para a violência contra a mulher no Rio Grande do Sul. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que o estado registrou 117 vítimas de feminicídio em 2025. Embora represente uma leve redução em relação ao ano anterior, o número ainda preocupa as autoridades.
Especialistas reforçam que o período de separação figura entre os momentos de maior risco para mulheres em relacionamentos abusivos. A saída de casa não elimina o perigo, especialmente quando o agressor mantém acesso ao imóvel ou à rotina da vítima.
Como denunciar
Em caso de violência doméstica, a orientação das autoridades é clara: denuncie. Os canais de atendimento incluem:
- 190 – Brigada Militar (emergência)
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- Delegacias especializadas ou comuns da Polícia Civil
A denúncia pode ser anônima. Mais do que isso, ela se mostra fundamental para romper o ciclo de violência e salvar vidas.