Foto: PABLO JACOB/Governo de São Paulo/Divulgação
Foto: PABLO JACOB/Governo de São Paulo/Divulgação

Foliões gaúchos devem redobrar a atenção na hora de comprar e consumir bebidas alcoólicas neste Carnaval. O alerta é nacional: dados do Ministério da Saúde revelam que, somente em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas, com 25 mortes. Outros oito óbitos ainda estão sendo investigados .

A preocupação se estende por diversos estados. São Paulo foi o mais atingido, com 52 casos e 12 mortes confirmadas. Pernambuco registrou oito casos e cinco óbitos; a Bahia, nove casos e três mortes; o Paraná, seis casos com três mortes; e Mato Grosso, seis ocorrências que resultaram em quatro óbitos .

Por que o metanol é tão perigoso?

Rio Grande do Sul - O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho explica que o metanol é um álcool diferente do etanol (presente nas bebidas alcoólicas). “Ao ser metabolizado pelo organismo, gera substâncias altamente tóxicas que interferem na produção de energia das células e atingem especialmente o sistema nervoso”, alerta .

O resultado pode ser uma acidose metabólica grave — aumento da acidez no sangue — levando a complicações como:

  • Alterações visuais (visão turva ou embaçada)
  • Lesão do nervo óptico
  • Confusão e desorientação mental
  • Convulsões
  • Queda do nível de consciência (coma)
  • Arritmias e insuficiência respiratória

Perigo silencioso: sintomas podem ser confundidos com ressaca

O grande risco, segundo o especialista, é que a intoxicação por metanol nem sempre dá sinais imediatos claros e pode ser facilmente confundida com uma ressaca mais forte .

“Os sintomas costumam surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão da bebida, podendo, em alguns casos, aparecer até 48 horas depois”, explica Magarinos.

Sinais iniciais (até 6h após ingestão):

  • Dor abdominal intensa
  • Sonolência e falta de coordenação
  • Tontura, náuseas e vômitos
  • Dor de cabeça persistente
  • Confusão mental
  • Taquicardia e pressão baixa

Sinais tardios (entre 6h e 24h):

  • Visão turva ou embaçada
  • Fotofobia (sensibilidade à luz)
  • Pupilas dilatadas
  • Perda da visão das cores
  • Convulsões e coma

Atenção, folião gaúcho: como se proteger no Carnaval

Embora o Rio Grande do Sul não apareça no levantamento nacional como foco do surto mais recente, a circulação de pessoas e produtos durante a maior festa popular do país exige cuidados redobrados. Especialistas recomendam:

1. Desconfie de preços muito baixos
Bebidas com valor muito abaixo do mercado são o principal sinal de alerta para adulteração.

2. Verifique a embalagem
Compre apenas produtos com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal intactos. Evite bebidas sem identificação clara de fabricante.

3. Cuidado com o comércio ambulante
Evite consumir misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados. Latas lacradas são mais seguras.

4. Estabelecimentos regularizados
Compre apenas de bares, restaurantes e vendedores ambulantes licenciados pela vigilância sanitária ou credenciados pela prefeitura.

5. Fique atento aos sintomas
Se após consumir bebida alcoólica você apresentar sintomas como visão turva, dor abdominal intensa, tontura ou confusão mental — principalmente se desproporcionais à quantidade ingerida —, procure imediatamente uma unidade de saúde .

O que fazer em caso de suspeita

O Ministério da Saúde orienta que as pessoas não esperem a confirmação laboratorial para iniciar o tratamento. Ao chegar ao serviço de emergência, é fundamental relatar a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do que foi consumido .

“Exames que dosam o metanol no sangue ou na urina confirmam a intoxicação, mas nem sempre estão disponíveis de imediato. Por isso, diante de qualquer sinal incomum após o consumo de álcool, não hesite em buscar ajuda médica”, finaliza Magarinos .

Vigilância em ação

Assim como estados como São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro estão intensificando a fiscalização — o RJ inclusive com laboratório itinerante capaz de testar bebidas em tempo real nos blocos e no Sambódromo —, a expectativa é que as vigilâncias sanitárias municipais gaúchas também reforcem a inspeção em bares, camarotes e comércio ambulante durante os dias de folia .

A orientação das autoridades é clara: a prevenção ainda é a melhor forma de garantir que a festa termine sem sustos. Afinal, um Carnaval seguro começa com escolhas conscientes na hora de brindar.