Angolano ferido e familiares de costureira morta pela BM em Gravataí serão indenizados

Dupla estava em carro de aplicativo alvo de tiros da polícia quando retornavam do litoral norte

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05:38 - 29/07/2023

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Angolano ferido e familiares de costureira morta pela BM em Gravataí serão indenizados Foto: Arquivo pessoal

Angolano ferido e familiares de costureira morta pela BM em Gravataí serão indenizados Foto: Arquivo pessoal

O angolano baleado e mantido preso por policiais da Brigada Militar, em agosto de 2020, deverá ser indenizado. Conforme decisão da 4ª Vara Cível da Comarca de Gravataí, Gilberto Almeida irá dividir valor por danos morais com dois irmãos da costureira Dorildes Laurindo, morta na mesma abordagem.

O ressarcimento foi definido em R$ 580 mil. “’Dantesco’ talvez não seja termo suficiente para descrever o episódio. Faltam no léxico palavras para bem retratar tamanha brutalidade, em uma sucessão de violações à dignidade da pessoa humana, que, no papel, é fundamento desta República”, apontou a decisão judicial.

De férias no Brasil, em 2020, o radiologista Gilberto Almeida voltava do litoral com Dorildes. Eles seguiam num carro de aplicativo, conduzido por motorista que tinha mandado de prisão contra si. O veículo passou a ser perseguido pela BM. O veículo já havia parado, conforme testemunhas, quando iniciaram os disparos dos brigadianos.

Decisão da Justiça – caso do angolano e costureira

A justiça entendeu que “foi atingido mais de um direito da personalidade da vítima Dorildes, ofendida em grau máximo na sua integridade física após ser baleada por mais de uma vez, inclusive pelas costas, sem que tenha antes oferecido qualquer tipo de resistência, ainda foi algemada, pisoteada, arrastada e estapeada”, destacou.

A decisão acrescenta que o índice de reprovabilidade da conduta dos ofensores é elevado, tanto pelo ataque “absolutamente desproporcional a uma mulher indefesa, como pelo fato de que deixaram de informar à autoridade policial que ela e o namorado eram inocentes”.

Por fim, “Gilberto permaneceu custodiado no hospital, como se criminoso fosse, já que, em depoimento no auto de prisão em flagrante, os agentes policias imputaram-lhe a autoria de três tentativas de homicídio. De lá saiu sem ter ao menos roupas para vestir-se, em direção a uma cela insalubre em uma delegacia de polícia, onde foi novamente ultrajado por agentes do Estado”.

*Fonte: Correio do Povo

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