“Ainda vivemos uma cultura muito machista” diz integrante da Patrulha Maria da Penha em Farroupilha

Neste sábado (07), a Lei Maria da Penha completa 15 anos de existência. Antes desse período, o Brasil não possuía…

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08:49 - 07/08/2021

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Foto: Cristiano Lemos/Grupo RSCOM

Neste sábado (07), a Lei Maria da Penha completa 15 anos de existência. Antes desse período, o Brasil não possuía nenhuma lei específica sobre violência doméstica. Esses casos eram enquadrados como “pequenas causas”. Mas, felizmente, no dia sete de agosto de 2006, a lei foi sancionada em homenagem a Maria da Penha Fernandes, uma mulher que sobreviveu a duas tentativas de homicídio de seu ex-marido.

Em Farroupilha, há cerca de quatro anos, foi criada a Patrulha Maria da Penha, que conta com oito policiais militares, treinados especialmente para esse trabalho, e que acompanha mulheres vítimas de violência doméstica. Um dos soldados que faz parte da Patrulha é Leandro Morais, ele comentou, em entrevista ao Grupo RSCOM sobre o trabalho realizado.

Conforme Morais, após o primeiro atendimento junto a mulher, realizado pelo pronto atendimento da Brigada Militar, a vítima é encaminhada à Delegacia de Polícia onde faz o pedido de Medida Protetiva, com isso, a Patrulha passa a fazer acompanhamentos que duram seis meses.

Ele explicou sobre o acompanhamento.

“Nosso trabalho é feito a cada 15 dias, mas sem dias e horários específicos, todas as visitas são feitas de surpresa para podermos sentir como está a situação da vítima, se está vulnerável ou mais tranquilo. Vamos até o local e conversamos, informamos sobre a Rede de Proteção à Mulher que tem na cidade, que não é apenas a Brigada Militar. E também informamos sobre a questão legal, sobre os seus direitos, além de passar informações sobre como agir em situação de risco”, disse.

Ele diz que quem participa da Patrulha tem um olhar mais humanizado sobre essas situações envolvendo as mulheres. Segundo ele, não é apenas realizar o boletim de ocorrência, é preciso um fortalecimento psicológico e um amparo para que as mulheres saibam que não estão sozinhas neste momento.

Como profissional, Morais diz que policiais que se envolvem com a Patrulha Maria da Penha tem a expectativa de sempre fazer mais pela vítima.

“É bem gratificante. Porém percebemos que a gente ainda vive em uma cultura muito machista. A violência, ela realmente acontece, ela é grave e causa um dano psicológico na vida daquela mulher. Então, para mim, é muito importante poder fazer algo a mais e estar lá dando uma atenção especial para essas pessoas”.

Ainda conforme dados, a violência doméstica está em todas as camadas da sociedade e não apenas na faixa mais vulnerável. Morais também relatou que durante a pandemia, principalmente no começo dela, o número de mulheres agredidas havia aumentado.

Para o futuro, Morais diz é preciso que cada vez as mulheres façam as denúncias quando a violência aconteça, que elas busquem seus direitos e, principalmente, que elas não sintam vergonha de procurar ajuda.

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