
Litoral - Um inquérito foi aberto para apurar o linchamento de Marco Antônio Bocker Jacob, acusado de sequestrar uma menina, de 9 anos, e de cometer abusos sexuais contra ela em Tramandaí, no Litoral Norte. O episódio, que chocou a comunidade, aconteceu na manhã de quarta-feira (26), quando uma multidão se revoltou e o agrediu. Ele não resistiu aos ferimentos. O objetivo é identificar os responsáveis por agredir o homem de 61 anos.
De acordo com relatos da Brigada Militar, os agentes que prestavam atendimento à criança tentaram conter a aglomeração, mas não conseguiram evitar o ataque. A situação se agravou quando a multidão, além de agredir o suspeito, depredou a loja de conveniência onde a menina foi encontrada e um veículo que estava estacionado no local.
A Brigada Militar interveio utilizando balas de borracha, gás de efeito moral e spray de pimenta para dispersar os manifestantes. Apesar dos esforços, o homem não sobreviveu. O homem ainda chegou a ser socorrido com vida, mas morreu enquanto era atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A cena do crime foi prejudicada com o ocorrido. A presença de pessoas, além do suspeito, prejudicou o trabalho do Instituto-Geral de Perícias (IGP). De acordo com peritos, evidências foram removidas da cena do crime e vestígios do sequestrador foram misturados aos de populares.
Outra dificuldade, de acordo com o delegado Alexandre Souza, titular da Delegacia de Polícia de Tramandaí, é o fato de não haver câmeras no interior do imóvel. A expectativa dele é que as imagens de monitoramento no entorno do lugar, registros feitos por profissionais da imprensa e o relato de testemunhas possam auxiliar na identificação dos participantes do linchamento.
“Vamos tentar chegar à autoria de quem matou o suspeito. Infelizmente, não havia câmeras no bar. Até por isso não temos imagens da menina entrando no lugar. Tentaremos usar outros métodos investigativos, como relatos de testemunhas, imagens de câmeras na região e o material que foi registrado pelos veículos de imprensa que estavam ali”, contou o delegado.
O suspeito, que já tinha passagem pela polícia por crimes como feminicídio, tráfico de drogas, furto, crueldade contra animais e lesão corporal, cumpria pena em regime aberto, encerrada no mês anterior.
A busca por Tramandaí
O pai da menina contou, em entrevista, que a filha havia saído de casa por volta das 16h da terça-feira (25) para brincar em uma praça próxima, devido ao calor intenso. Preocupados com a demora no retorno, familiares e vizinhos iniciaram buscas pela região, espalhando cartazes e utilizando um carro de som para anunciar o desaparecimento.
Durante as buscas, o pai desconfiou do comportamento do suspeito ao questioná-lo sobre o paradeiro da filha. Ele notou uma música alta tocando no local e um arranhão no nariz do homem, o que aumentou suas suspeitas.
A Brigada Militar e a Polícia Civil foram acionadas e, por meio de imagens de câmeras de segurança, identificaram a menina entrando na loja do suspeito. Ao chegarem ao local, os agentes ouviram gritos de socorro e encontraram a criança presa em um compartimento escondido.