
A Polícia Civil deflagrou a Operação Fraus Vehiculorum, na manhã desta terça-feira (03), com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro ligada a uma organização criminosa com atuação em Caxias do Sul. Ao todo, foram cumpridas 60 ordens judiciais em sete cidades do Estado.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em conjunto com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Caxias do Sul e com apoio do 12º Batalhão da Brigada Militar.
Entre as medidas judiciais estão 23 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Caxias do Sul, Capão da Canoa, Flores da Cunha, Farroupilha, Arroio do Sal, Sapiranga e Porto Alegre. Também foram determinadas a apreensão de cinco veículos, a indisponibilidade de dois imóveis e a quebra de sigilos fiscal e financeiro dos investigados.
Desaparecimento levou à descoberta do esquema criminoso
A investigação teve início a partir de documentos relacionados a um inquérito policial sobre um desaparecimento, instaurado pela DPHPP de Caxias do Sul. Durante as diligências, os policiais identificaram que o veículo da vítima foi negociado após o desaparecimento com integrantes da organização criminosa alvo da operação, levantando a suspeita de que a vítima possa ter sido executada.
As apurações indicaram que os envolvidos na negociação do automóvel possuem ligação com uma organização criminosa atuante no tráfico de drogas no município. Segundo a polícia, as lideranças do grupo utilizavam empresas para lavar dinheiro, transformando valores obtidos de forma ilícita em recursos aparentemente legais, por meio de negociações comerciais.
Os investigados possuem antecedentes criminais por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, entre outros delitos.

Movimentações milionárias chamaram atenção da polícia
A equipe da DRLD identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, com transações elevadas em curto espaço de tempo. Em um período de quatro meses, foi constatada uma movimentação de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Já a Delegacia de Polícia de Osório é responsável pela investigação do desaparecimento da vítima.
De acordo com a PC, a operação busca reunir novas provas e aprofundar as investigações, diante de fortes indícios de que os envolvidos ocultavam recursos ilícitos por meio da aquisição de imóveis, veículos e criação de estruturas comerciais para inserir o dinheiro no mercado formal.
Além da movimentação financeira, a Justiça autorizou a apreensão e indisponibilidade de bens que, somados, ultrapassam R$ 3,5 milhões.
“A repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, evitando que essas usem o dinheiro ilícito para financiar a prática de homicídios”, destacou o diretor do DHPP, delegado Mario Souza.