Fotos: Arquivos Pessoais
Fotos: Arquivos Pessoais

O Rio Grande do Sul chegou a sete feminicídios registrados em 2026, sendo cinco deles ocorridos entre o domingo (18) e esta terça-feira (20), em um intervalo de pouco mais de 48 horas. Os crimes aconteceram em diferentes regiões do Estado e estão sendo investigados pela Polícia Civil. O mais recente nesta terça-feira (20) em Muitos Capões, nos Campos de Cima da Serra.

Em apenas 20 dias, janeiro já superou dezembro em feminicídios no RS.

Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte – Guaíba (03/01)

O primeiro feminicídio do ano foi registrado no início de janeiro, em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. No sábado (3), uma Bombeira Civil, identificada como Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, de 31 anos, foi morta a facadas dentro de casa pelo companheiro, de 44 anos, que foi preso em flagrante. Segundo a investigação, a vítima foi atingida por ao menos sete golpes de faca, a maioria no pescoço.

Foto: Arquivo Pessoal

Após o crime, o homem utilizou o celular da vítima para enviar mensagens a pessoas próximas, simulando que ela teria tirado a própria vida. A atitude levantou suspeitas, e a Brigada Militar encontrou a mulher já sem vida na residência. O suspeito foi localizado desacordado ao lado do corpo.

Letícia Foster Rodrigues – Canguçu (14/01)

O segundo feminicídio de 2026 ocorreu em Canguçu, no Sul do Estado. Na noite de terça-feira (14), o corpo de Letícia Foster Rodrigues, de 37 anos, foi encontrado em uma plantação de soja no interior do município, com um corte no pescoço.

Foto: Divulgação/Polícia Civil

O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, de 36 anos, com quem ela manteve um relacionamento por cerca de sete anos e teve um filho de quatro anos. Segundo a Polícia Civil, Letícia já havia sido agredida anteriormente, possuía medida protetiva, que foi descumprida, e o homem chegou a ficar preso em 2025. Atualmente, ele está recolhido no Presídio Regional de Bagé por tráfico de drogas, e a polícia solicitou a prisão preventiva pelo feminicídio.

Marines Terezinha Schneider – Santa Rosa (18/01)

No domingo (18), teve início a sequência mais recente de crimes. Pela manhã, por volta das 8h30, Marines Terezinha Schneider, de 54 anos, foi assassinada a tiros no bairro Cruzeiro, em Santa Rosa, no Noroeste do Estado.

Foto: Arquivo Pessoal

Conforme a investigação, o autor, João Luís Pinto Quintana, de 57 anos, pulou o portão da residência da vítima e efetuou os disparos. Ele fugiu após o crime, mas se apresentou espontaneamente na segunda-feira (19) à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), onde teve o mandado de prisão cumprido.

Josiane Natel Alves – Porto Alegre (18/01)

Ainda no domingo, um feminicídio foi registrado no bairro Campo Novo, na zona sul de Porto Alegre. Josiane Natel Alves, de 32 anos, foi morta com nove facadas dentro de casa. O crime foi presenciado pela filha da vítima, de 14 anos.

Foto: Arquivo Pessoal

O ex-companheiro, de 29 anos, foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, o relacionamento havia durado cerca de um mês, e o homem não aceitava o término. Além da adolescente, Josiane deixa outros dois filhos.

Paula Gabriela Torres Pereira – Porto Alegre (19/01)

Na tarde de segunda-feira (19), Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos, foi assassinada a facadas em uma parada de ônibus na avenida Juca Batista, no bairro Chapéu do Sol, em Porto Alegre.

Foto: Arquivo Pessoal

O autor foi o ex-companheiro, de 50 anos, preso logo após o crime. O casal disputava judicialmente a guarda da filha de cinco anos. Paula também era mãe de duas adolescentes e não possuía medida protetiva vigente.

Adolescente de 15 anos – Sapucaia do Sul (20/01)

O sexto feminicídio em pouco mais de 48 horas ocorreu em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. Uma adolescente de 15 anos foi encontrada morta dentro de uma residência no bairro Cohab. O autor, um homem de 25 anos, foi preso em flagrante.

Foto: Polícia Civil/Reprodução

Segundo a Polícia Civil, havia uma medida protetiva em vigor desde dezembro de 2025, proibindo qualquer contato entre o suspeito e a vítima. A perícia constatou diversas perfurações por arma branca, principalmente no pescoço, rosto e costas, além de sinais de que a jovem estava com as mãos amarradas.

Uliana Teresinha Fagundes – Muitos Capões (20/01)

Nesta terça-feira (20), um novo feminicídio foi confirmado na Serra Gaúcha, elevando para sete o número de vítimas em 2026. Em Muitos Capões, a vítima foi Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, morta pelo companheiro, que fugiu após o crime.

A Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias foram acionados para os levantamentos iniciais. O inquérito será conduzido pela Delegacia de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV) de Vacaria.

Dados alarmantes da violência contra a mulher

Os casos registrados no Estado refletem um cenário nacional preocupante. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. No Rio Grande do Sul, foram 80 feminicídios no ano passado, o maior número da série histórica.

Em dez anos, mais de 41 mil mulheres foram assassinadas no país, além de mais de 70 mil registros de estupro apenas em 2025, números que evidenciam a persistência da violência de gênero.

Operação estadual de combate à violência contra a mulher

Diante da sequência de crimes, a Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação “Ano Novo, Vida Nova”, coordenada pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (Dipam/DPGV).

A ação, com duração de 24 horas, ocorre em diversas cidades do Estado e tem como foco coibir a violência doméstica e familiar, com cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão de armas de fogo, fiscalização de tornozeleiras eletrônicas, averiguação de denúncias anônimas e ações de conscientização.

Foto: DCS/PCRS

Os resultados da operação serão apresentados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (21).

Como buscar ajuda

Mulheres em situação de violência doméstica ou familiar podem buscar ajuda pelo telefone 190, em casos de emergência, ou pelo Disque 180, canal nacional de atendimento à mulher, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente e de forma sigilosa. Também é possível procurar delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAMs), a Polícia Civil, o Ministério Público, a Defensoria Pública ou serviços da rede municipal de assistência social, que podem orientar sobre medidas protetivas e acolhimento.

Com informações de Correio do Povo e Rádio Cidade SA.