
Uma queda dentro de uma unidade de saúde terminou em cirurgia cerebral e abriu uma investigação em Caxias do Sul. Um jovem de 18 anos precisou passar por um procedimento de urgência após desmaiar dentro da UPA Central, no fim de dezembro. A família afirma que ele foi liberado sem exames e que apenas dias depois médicos identificaram coágulos no cérebro.
Segundo o pai, Moisés Rodrigues, o filho João Pedro procurou a unidade no dia 26 de dezembro, com fortes dores de cabeça. Ele relata que o jovem aguardou por horas até ser chamado e que, quando finalmente foi atendido, a consulta teria durado menos de 20 minutos. Após receber a medicação, foi liberado.
Ainda conforme o relato, já depois da liberação e ainda dentro da UPA, em frente à farmácia interna, o jovem desmaiou e bateu a cabeça. Ele teria permanecido cerca de 20 minutos em uma maca e, mesmo apresentando tontura e vômitos, acabou sendo mandado para casa sem nova avaliação médica.
O pai acrescenta que, nesse momento, o filho recebeu um recipiente destinado ao descarte de lixo infectante para vomitar, e não um coletor apropriado.


Mais de um mês depois, em 2 de fevereiro, exames realizados em outro hospital apontaram dois coágulos no cérebro, e o jovem precisou passar por cirurgia de urgência. Ele permanece internado em recuperação.
Cirurgia, recuperação e incertezas
Em entrevista à reportagem, Moisés contou que o filho evolui bem após o procedimento e que um exame realizado nesta quarta-feira (4) indicou que ele poderia deixar a UTI e ser transferido para um quarto. Ele descreveu o estado de saúde atual e as mudanças que a família terá pela frente:
“Graças a Deus, o risco de sequela é, que nem o médico disse, muito improvável. Ele voltou (da cirurgia) conversando, tem todos os movimentos, reflexos, então graças a Deus ele foi muito bem operado; mas tá com os drenos, né, vai ter que cuidar, não vai poder fazer esforço pelo menos uns 30 dias. Então vai mudar toda a rotina tanto de casa quanto, carteira de habilitação ele tá fazendo, faculdade, tudo isso aí vai ter que dar uma freada até que recupere.”
O caso foi formalizado em dois caminhos: um boletim de ocorrência na Polícia Civil e uma reclamação registrada na Ouvidoria do SUS do município, na qual a família pede apuração do atendimento prestado na unidade.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal da Saúde, que orientou o contato com o Instituto Ideas, empresa terceirizada responsável pela gestão das UPAs Central e Zona Norte. Em resposta, a assessoria informou apenas que “não se pronunciará” sobre o caso.
A família aguarda agora o resultado de novos exames e diz esperar que as circunstâncias do atendimento sejam esclarecidas pelas autoridades responsáveis.