
Guaporé - O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a Polícia Civil e a Receita Estadual deflagraram, nesta quarta-feira (28), a Operação Acerto de Contas para desarticular um esquema de evasão fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. A Justiça autorizou 198 ordens judiciais em 11 cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O prejuízo estimado ao erário, com multas e juros, chega a R$ 80 milhões.
Em Guaporé, a Polícia Civil cumpriu ordens em dois imóveis residenciais e um escritório nos bairros Centro e São Cristóvão. Os agentes apreenderam dinheiro, metais preciosos e celulares. Em um imóvel na Avenida Sílvio Sanson, localizaram cerca de 70 quilos de prata, avaliados em R$ 2,7 milhões, além de ouro. Parte do material estava ocultada em cômodos da residência. Ninguém foi preso no município, mas a Justiça impôs medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico, a um dos investigados que não estava no local.
A operação ocorreu em Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí, Guaporé e Florianópolis, com apoio do GAECO do Ministério Público de Santa Catarina. O núcleo do esquema, segundo as investigações, era liderado por um contador com registro cassado desde 2023, que atuava por meio de terceiros.
Investigação e Desdobramentos
As apurações apontam o uso de 175 empresas de fachada para emitir notas fiscais inidôneas, gerar créditos fictícios de ICMS e blindar patrimônio por meio de holdings e laranjas. O principal investigado teria obtido cerca de R$ 6 milhões e mantido padrão de luxo com veículos e imóveis no Litoral.
A Justiça autorizou bloqueio de ativos, sequestro de imóveis e apreensão de veículos. No âmbito do GAECO/MPRS, há bloqueios que podem chegar a R$ 153,47 milhões. Na investigação da Polícia Civil, foram deferidas 164 medidas, incluindo buscas, monitoramento eletrônico, uma prisão preventiva, apreensão de 22 veículos, sequestro de 14 imóveis e bloqueio de até R$ 72 milhões.
Papel da Receita Estadual
A Receita Estadual teve papel central ao identificar as fraudes e produzir os relatórios técnicos que embasaram as quebras de sigilo e a atuação integrada entre as instituições.
*Com informações de MPRS e Rádio Aurora Guaporé