Justiça
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Os crimes dolosos contra a vida de natureza cotidiana lideraram os julgamentos do Tribunal do Júri no Rio Grande do Sul em 2025. Das 2.504 sessões realizadas no ano, cerca de 39%mais de 970 — analisaram casos ligados a situações comuns, como brigas, discussões de trânsito e conflitos entre conhecidos. Os dados são do Centro de Apoio Operacional do Júri (CAOJÚRI) do Ministério Público do RS (MPRS).

O MPRS obteve acolhimento majoritário de seus pedidos. Considerando todos os tipos de crimes julgados pelo Júri, o índice geral chegou a 81%. O volume de sessões também cresceu. Em 2024, o Tribunal realizou 1.816 plenários. Em 2025, foram 2.504, alta de 38%. Em relação a 2023, o aumento foi de 44%.

Parte da expansão decorre do represamento de julgamentos em 2024, causado pelas enchentes. Ao longo de 2025, o Estado realizou, em média, dez júris por dia útil.

Do total de sessões, 125 contaram com apoio direto do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ), que atua em casos mais complexos e de maior repercussão, como processos envolvendo organizações criminosas e feminicídios. Nesses julgamentos, o aproveitamento superou 90%.

Distribuição dos casos

Além dos crimes do cotidiano, 24% dos plenários — cerca de 600 — trataram de homicídios ligados ao tráfico de drogas. Conflitos domésticos somaram 17%, com 425 júris. Feminicídios responderam por 13%, com 317 sessões. Crimes contra policiais representaram 4%, com 115 julgamentos. Delitos contra crianças e adolescentes ficaram em 1,44% (36 júris). Crimes praticados por policiais somaram 0,34%, com oito sessões.

Entre os casos de maior repercussão, o Júri condenou, em outubro de 2025, o réu pela morte do menino Andrei Ronaldo Goulart Gonçalves, ocorrida em Porto Alegre em 2016. A pena fixada foi de 46 anos de prisão.

Para o coordenador do CAOJÚRI, promotor Marcelo Tubino, os números mostram o foco do MPRS na defesa da vida.

“A atuação em plenário exige dedicação do promotor. Os jurados vêm acolhendo os pedidos do Ministério Público, o que indica que seguimos no caminho certo para proteger a sociedade e preservar a vida”, afirmou.