Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases/Unsplash/Reprodução
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O vírus Nipah voltou a ganhar destaque na imprensa internacional nos últimos dias por causa de alertas sanitários e do monitoramento de surtos em países da Ásia. A doença, considerada rara, mas potencialmente grave, é causada por um vírus transmitido principalmente por animais.

A médica infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul, Dra. Viviane Raquel Buffon, explicou o que é o vírus Nipah, infecção que está sob vigilância de autoridades de saúde em diferentes partes do mundo.

Viviane Raquel Buffon. Médica Infectologista e Professora do Curso de Medicina da UCS. – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a especialista, trata-se de um vírus zoonótico, capaz de passar de animais para humanos, por alimentos contaminados e, em determinadas situações, de pessoa para pessoa. O agente é classificado como patógeno de nível máximo de biossegurança, e tem como principais reservatórios naturais morcegos frugívoros. Esses animais contaminam frutas e seiva de árvores, que acabam infectando porcos, considerados hospedeiros intermediários. O contato direto e sem proteção com pessoas doentes, especialmente familiares e profissionais de saúde, também é uma forma de transmissão.

A doença foi identificada pela primeira vez na Malásia, no fim da década de 1990, durante um surto entre criadores de suínos e pessoas que tiveram contato próximo com porcos. Outros animais domésticos, como cabras, ovelhas, cães, gatos e cavalos, também podem ser infectados de forma acidental.

Sintomas graves e alta letalidade

Em relação aos sintomas, a médica explica que o período de incubação varia de quatro a 21 dias. A infecção costuma começar com sinais semelhantes aos de uma gripe, mas pode evoluir para pneumonia e, principalmente, para quadros neurológicos severos, como encefalite e meningite.

Em um dos trechos da entrevista, a Dra. Viviane destacou: “O vírus Nipah possui uma altíssima letalidade, de 40 a 75%, podendo chegar até 90% em alguns surtos, diferente da covid-19, que tem uma baixa letalidade.”

Ela também alerta que pessoas que sobrevivem à infecção podem apresentar sequelas neurológicas, como convulsões persistentes e alterações de personalidade.

Não há tratamento específico nem vacina disponível atualmente. O atendimento se baseia no controle das complicações neurológicas, respiratórias e cardiovasculares, embora existam pesquisas em andamento para novas terapias.

Risco, monitoramento e orientações

Em áreas afetadas, a recomendação é evitar contato com morcegos e porcos, não consumir seiva crua de tamareira e redobrar cuidados em ambientes de saúde, com isolamento rigoroso de casos suspeitos e medidas de proteção contra transmissão por contato, gotículas e aerossóis.

Atualmente, os casos seguem concentrados na Ásia e alguns países estão sob observação. Mesmo assim, a médica afirma que, devido à intensa circulação de pessoas pelo mundo, existe sim o risco de o vírus chegar a outros países, incluindo o Brasil.

Ela reforça, porém, que o Nipah não apresenta a mesma capacidade de disseminação do coronavírus e tem baixo potencial pandêmico no momento.

A detecção depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais. Para a população em geral, a orientação é manter a calma e buscar informações apenas em canais oficiais. Segundo a infectologista, se algum caso for confirmado no país, as autoridades vão informar a população e orientar sobre cuidados, isolamento e acompanhamento médico.