
O vírus Nipah voltou a ganhar destaque na imprensa internacional nos últimos dias por causa de alertas sanitários e do monitoramento de surtos em países da Ásia. A doença, considerada rara, mas potencialmente grave, é causada por um vírus transmitido principalmente por animais.
A médica infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul, Dra. Viviane Raquel Buffon, explicou o que é o vírus Nipah, infecção que está sob vigilância de autoridades de saúde em diferentes partes do mundo.

Segundo a especialista, trata-se de um vírus zoonótico, capaz de passar de animais para humanos, por alimentos contaminados e, em determinadas situações, de pessoa para pessoa. O agente é classificado como patógeno de nível máximo de biossegurança, e tem como principais reservatórios naturais morcegos frugívoros. Esses animais contaminam frutas e seiva de árvores, que acabam infectando porcos, considerados hospedeiros intermediários. O contato direto e sem proteção com pessoas doentes, especialmente familiares e profissionais de saúde, também é uma forma de transmissão.
A doença foi identificada pela primeira vez na Malásia, no fim da década de 1990, durante um surto entre criadores de suínos e pessoas que tiveram contato próximo com porcos. Outros animais domésticos, como cabras, ovelhas, cães, gatos e cavalos, também podem ser infectados de forma acidental.
Sintomas graves e alta letalidade
Em relação aos sintomas, a médica explica que o período de incubação varia de quatro a 21 dias. A infecção costuma começar com sinais semelhantes aos de uma gripe, mas pode evoluir para pneumonia e, principalmente, para quadros neurológicos severos, como encefalite e meningite.
Em um dos trechos da entrevista, a Dra. Viviane destacou: “O vírus Nipah possui uma altíssima letalidade, de 40 a 75%, podendo chegar até 90% em alguns surtos, diferente da covid-19, que tem uma baixa letalidade.”
Ela também alerta que pessoas que sobrevivem à infecção podem apresentar sequelas neurológicas, como convulsões persistentes e alterações de personalidade.
Não há tratamento específico nem vacina disponível atualmente. O atendimento se baseia no controle das complicações neurológicas, respiratórias e cardiovasculares, embora existam pesquisas em andamento para novas terapias.
Risco, monitoramento e orientações
Em áreas afetadas, a recomendação é evitar contato com morcegos e porcos, não consumir seiva crua de tamareira e redobrar cuidados em ambientes de saúde, com isolamento rigoroso de casos suspeitos e medidas de proteção contra transmissão por contato, gotículas e aerossóis.
Atualmente, os casos seguem concentrados na Ásia e alguns países estão sob observação. Mesmo assim, a médica afirma que, devido à intensa circulação de pessoas pelo mundo, existe sim o risco de o vírus chegar a outros países, incluindo o Brasil.
Ela reforça, porém, que o Nipah não apresenta a mesma capacidade de disseminação do coronavírus e tem baixo potencial pandêmico no momento.
A detecção depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais. Para a população em geral, a orientação é manter a calma e buscar informações apenas em canais oficiais. Segundo a infectologista, se algum caso for confirmado no país, as autoridades vão informar a população e orientar sobre cuidados, isolamento e acompanhamento médico.