
O Rio Grande do Sul recebeu o primeiro lote do anticorpo nirsevimabe, incorporado ao SUS para proteger recém-nascidos contra infecções graves pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e pneumonia. A aplicação da dose única terá início em fevereiro nas maternidades e unidades de vacinação da rede pública estadual.
O medicamento é indicado para todos os prematuros, de gestação inferior a 37 semanas, e crianças de até 24 meses com comorbidades que elevem o risco de problemas respiratórios. Em 2025, o estado registrou quase 2,6 mil hospitalizações de bebês com até um ano devido ao VSR, com pico entre maio e julho.
Ao todo, são 1.253 doses, sendo 960 de 0,5 ml para menores de 5 kg e 293 de 1 ml para acima de 5 kg. Parte será distribuída aos 34 Centros de Imunobiológicos Especiais e coordenadorias regionais de saúde; a outra ficará como estoque estratégico.
A orientação é que as famílias consultem a maternidade de nascimento ou a Unidade Básica de Saúde de referência para confirmar disponibilidade, datas e locais de aplicação. Novas remessas devem chegar ao estado conforme a distribuição do Ministério da Saúde.
Sobre o anticorpo
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de dose única, que oferece proteção por até seis meses. Já utilizado em países como EUA e Reino Unido, não é uma vacina, mas um anticorpo pronto que é injetado no músculo.
A aplicação fornece diretamente ao bebê o anticorpo que combate o VSR, garantindo proteção imediata. Por isso, é especialmente importante para prematuros e recém-nascidos, que ainda não têm o sistema imunológico totalmente desenvolvido.
Quem deve receber o anticorpo
Prematuros: todos os nascidos com menos de 37 semanas de gestação podem receber o nirsevimabe durante todo o ano, preferencialmente na maternidade.
Crianças de até 24 meses de idade com comorbidades: terão direito a receber o anticorpo durante a circulação sazonal do VSR (fevereiro a agosto) as crianças com:
- cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica;
- doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP);
- imunocomprometimento grave;
- síndrome de Down;
- fibrose cística;
- doenças neuromusculares graves;
- anomalias congênitas das vias aéreas e doenças pulmonares graves.
Locais de disponibilidade
- Maternidades do SUS: aplicam diretamente ou solicitam doses à Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE).
- Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais e Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais: fazem avaliação clínica e aplicação.
- Demais unidades de saúde do SUS: aplicam mediante autorização prévia da RIE.
Por que o VSR preocupa?
O vírus sincicial respiratório é um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês, com maior gravidade em menores de seis meses. Ele é transmitido principalmente por meio de gotículas respiratórias expelidas pela tosse, espirro ou fala, além do contato direto com secreções de pessoas infectadas.
Os bebês mais novos são os principais afetados por quadros graves, que causam dificuldade respiratória e exigem, muitas vezes, internação em unidades de tratamento intensivo (UTI) e utilização de oxigênio, podendo inclusive levar a criança à morte.