(Foto: Ilustrativa)
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O mês de fevereiro é dedicado à conscientização sobre a leucemia e à doação de medula óssea, campanha conhecida como Fevereiro Laranja, que busca ampliar a informação, combater mitos e incentivar atitudes que podem salvar vidas. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 11.560 novos casos da doença por ano, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento.

A leucemia é um câncer que afeta as células da medula óssea, responsável pela produção do sangue. A doença ocorre quando células doentes passam a se multiplicar de forma descontrolada, substituindo as células normais e comprometendo funções essenciais do organismo. Apesar do impacto do diagnóstico, a leucemia não é uma doença única e nem sempre tem evolução grave.

Nem toda leucemia é igual

De acordo com o hematologista e hemoterapeuta do Hospital Tacchini,
Victor Hugo da Rocha Lenz Pereira Pereira, existem diferentes tipos de leucemia, classificados conforme a velocidade de evolução e o tipo de célula afetada.

“A leucemia é um câncer das células da medula óssea. Não existe só um tipo de leucemia e nem todos os tipos são fatais, como muitas vezes aparece em filmes ou novelas”, explica.

As leucemias agudas têm evolução rápida. A leucemia linfoblástica aguda é mais comum em crianças e apresenta altas taxas de cura quando diagnosticada precocemente.

“Nas crianças, a chance de cura pode passar de 95%”, destaca o especialista.

Já a leucemia mieloide aguda ocorre com maior frequência em adultos e tende a ter comportamento mais agressivo, com prognóstico variável conforme a resposta ao tratamento.

As leucemias crônicas, por outro lado, costumam evoluir lentamente. A leucemia mieloide crônica, por exemplo, é tratada na maioria dos casos com medicamentos orais, permitindo que o paciente leve uma vida praticamente normal. A leucemia linfocítica crônica é mais comum em pessoas idosas.

Sintomas exigem atenção

Os sinais da leucemia podem variar conforme o tipo da doença e a idade do paciente. Em crianças, dores ósseas frequentes, hematomas e sangramentos estão entre os sintomas mais comuns. Em adultos, fraqueza, emagrecimento, sangramentos e cansaço persistente costumam chamar a atenção.

O hemograma geralmente é o primeiro exame a indicar alterações, podendo mostrar anemia, mudanças nos glóbulos brancos ou nas plaquetas.

“Por isso, o diagnóstico precoce é a ferramenta mais poderosa que temos hoje”, reforça o médico.

Ainda não existem formas comprovadas de prevenção primária da leucemia.

Tratamento evoluiu e mudou o cenário

Segundo Pereira, o tratamento da leucemia passou por avanços significativos nos últimos anos. Além da quimioterapia, hoje existem terapias-alvo e imunoterapias que atuam diretamente nas células doentes.

“Muitas pessoas associam leucemia automaticamente à quimioterapia e à morte. Mas hoje temos inúmeros tratamentos modernos, e muitos pacientes fazem tratamento apenas com comprimidos”, afirma.

O transplante de medula óssea, que já foi muito mais comum, atualmente é indicado principalmente em alguns casos de leucemias agudas de alto risco ou quando não há boa resposta ao tratamento inicial. Nas leucemias crônicas, o procedimento se tornou raro.

Medula óssea

A medula óssea, responsável pela produção das células do sangue, não é a medula da coluna vertebral, um equívoco ainda frequente quando o tema é doação. Na maioria das vezes, a doação é feita por meio da coleta de células do sangue, de forma segura e semelhante à doação de sangue.

Sobre o procedimento, o hematologista esclarece que o cadastro como doador é simples e não envolve cirurgia.

“As pessoas têm medo de ser doador de medula porque acham que tem que fazer uma cirurgia. Não. A doação é bem simples”, afirma.

Para se cadastrar, basta procurar um hemocentro, como o de Caxias do Sul ou Porto Alegre, ter entre 18 e 60 anos e realizar a coleta de uma pequena amostra de sangue, cerca de 10 ml, para tipagem genética. Os dados passam a integrar o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), aumentando as chances de compatibilidade para pacientes no Brasil e até no exterior.

Um gesto que também salva: doação de sangue

Além da doação de medula óssea, a doação de sangue é fundamental no tratamento dos pacientes com leucemia. Durante quimioterapias, muitos necessitam de transfusões frequentes de sangue e plaquetas.

“Qualquer pessoa entre 18 e 60 anos pode doar sangue. É uma das formas mais diretas de ajudar esses pacientes”, ressalta Pereira. Em Bento Gonçalves, campanhas periódicas de coleta são realizadas em parceria entre o Hospital Tacchini, o Hemocentro Regional de Caxias do Sul – Hemocs e e a Secretaria Municipal da Saúde.

Informação que transforma

A leucemia, apesar do impacto do diagnóstico, é cada vez mais tratável e, em muitos casos, curável. Informação correta, atenção aos sintomas e atitudes como a doação de sangue e o cadastro como doador de medula óssea são caminhos concretos para salvar vidas.

O hematologista Victor Hugo da Rocha Lenz Pereira reforça que, apesar do impacto do diagnóstico, a leucemia hoje permite diferentes caminhos.

“Tem chance de cura e tem chance de viver bem convivendo com a doença. Muitas pessoas levam uma vida normal em tratamento”, destaca.

Segundo ele, a informação, o acompanhamento médico e a solidariedade por meio da doação de sangue e do cadastro como doador de medula óssea seguem sendo fundamentais para transformar histórias que começam com medo em trajetórias de cuidado, esperança e continuidade da vida.