
O início de 2026 acendeu um alerta vermelho para o mercado de trabalho e para a Previdência Social no Brasil. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o número de afastamentos de trabalhadores diagnosticados com a Síndrome de Burnout (esgotamento profissional) registrou uma alta sem precedentes, impactando diretamente os cofres públicos e a produtividade das empresas.
O Impacto no INSS
O aumento vertiginoso nos pedidos de auxílio-doença por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho está pressionando o orçamento da Previdência:
- Gastos Recordes: O montante destinado ao pagamento de benefícios por incapacidade temporária devido ao Burnout atingiu níveis históricos nos primeiros dias deste ano.
- Sobrecarga de Perícias: A alta demanda tem gerado filas de espera para perícias médicas especializadas em saúde mental, retardando o suporte ao trabalhador.
Causas da “Epidemia” de Esgotamento
Especialistas e economistas ouvidos pela reportagem listam fatores que explicam por que o problema se agravou tanto em 2026:
- Cultura da Disponibilidade: O uso intensivo de inteligência artificial e ferramentas de comunicação exige respostas cada vez mais rápidas, eliminando a barreira entre vida pessoal e profissional.
- Metas Agressivas: Em um cenário de recuperação econômica e alta competitividade, empresas elevaram as metas de desempenho a níveis que ultrapassam os limites fisiológicos e emocionais dos funcionários.
- Insegurança Laboral: A reestruturação de diversos setores devido à automação gera um estado de alerta constante e medo de substituição, alimentando a ansiedade.
Responsabilidade Corporativa
O Ministério do Trabalho e o Ministério da Previdência estudam medidas para responsabilizar empresas que apresentem taxas de afastamento por burnout muito acima da média de seus setores. A ideia é aplicar um “fator de prevenção”, onde empresas com ambientes de trabalho comprovadamente tóxicos pagariam alíquotas maiores de contribuição previdenciária.
Por outro lado, o setor jurídico alerta para a importância das empresas investirem em programas reais de saúde mental, e não apenas em ações superficiais (o chamado “well-being washing”), sob o risco de enfrentarem uma avalanche de processos trabalhistas e danos à reputação.