Pepe assume PT estadual com desafio de barrar reformas propostas pelo PMDB

Eleito no dia sete de maio com 55% dos votos, o Deputado Federal Pepe Vargas tomou posse no último sábado,…

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10:53 - 27/06/2017

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Pepe foi formalizado como novo presidente do partido no sábado. (Foto: Cláudio Fachel/Divulgação)

Eleito no dia sete de maio com 55% dos votos, o Deputado Federal Pepe Vargas tomou posse no último sábado, dia 26, como presidente estadual do Partido dos Trabalhadores. Ao assumir a presidência estadual do partido, o ex-prefeito de Caxias do Sul defende que o grande desafio da sigla no próximo período é barrar a agenda implementada pelo governo do PMDB em nível estadual e federal.

Pepe foi formalizado como novo presidente do partido no sábado.
(Foto: Cláudio Fachel/Divulgação)

No Rio Grande do Sul, o petista entende que o governo de José Ivo Sartori (PMDB) se encaminha para o último ano demonstrando incapacidade de gestão e culpabilizando a crise econômica. “No que diz respeito ao Rio Grande do Sul, vamos buscar diálogo com os partidos e forças políticas que tem resistido a essa tentativa de retirada de direitos. Não é possível que tenha um governo que está indo para o último ano e que não tenha feito nada, apenas se queixa que não tem dinheiro. Tenta botar a culpa de tudo que está acontecendo nos outros e nunca assume responsabilidade nenhuma”, afirma.

Para Pepe, a crise financeira vivida pelo Rio Grande do Sul foi enfrentada por outras administrações de forma mais eficiente. “Faz muitos anos que o estado vive uma crise financeira, mas é a primeira vez na vida que tem um governo que atrasa salários, que não reajusta salários, que não faz obra nenhuma, que deixa as estradas todas esburacadas, que deixa a saúde chegar a um ponto de caos na rede hospitalar porque não cumpre os 12% que precisa aplicar na saúde”, critica o deputado.

Confira a entrevista na íntegra:

Pepe, qual a tua prioridade ao assumir a presidência estadual do PT?

“A nossa grande prioridade é cerrar fileiras com todos as forças, partidos, movimentos, que são contra a reforma trabalhista e a reforma da previdência. A reforma da previdência, pelas mobilizações que houve no dia 28 de abril, a gente conseguiu segurar. Eles não têm voto suficiente para votar a reforma da previdência hoje. Mas a reforma trabalhista, lamentavelmente, apesar de alguns percalços está andando no Senado. E ela é muito grave porque ela cria algumas situações de exploração do trabalhador, como é o caso do trabalho intermitente onde o trabalhador fica a disposição da empresa para quando a empresa resolver chamá-lo para trabalhar. Se ela resolver chamá-lo para trabalhar um dia por semana ele vai trabalhar esse um dia e vai ganhar equivalente a um dia por semana, e ele não pode ter outro emprego, vai ter que ficar disponível para aquela empresa. E tem outras tantas coisas ruins nessa reforma trabalhista. Nós precisamos que os trabalhadores e trabalhadoras tenham presente o que está acontecendo. Dia 30 agora temos outro dia de luta mobilizações e eu acho importante que as pessoas compareçam a essas mobilizações contra a reforma trabalhista e também contra a reforma da previdência, porque ela não foi retirada da tramitação embora eles não tenham os votos para aprová-la. Então nossa grande prioridade é a mobilização popular contra essas medidas. Junto disso, nós vamos discutir com os partidos que estão conosco nessa luta a possibilidade de construção de uma candidatura para o governo do estado em 2018”.

Como o senhor avalia a perda de cadeiras por parte do PT nas eleições municipais do ano passado?

“O resultado da eleição para prefeito e vereador refletiu o momento em que houve um forte ataque ao nosso partido por parte das forças que estão no governo de [Michel] Temer (PMDB) e seus aliados querendo atribuir ao PT todos os problemas do país e uma parcela da população obviamente achava que era isso mesmo. Depois de alguns meses a gente vê que é crescente o número de pessoas que compreendem que o governo Temer foi fruto de um golpe e esse golpe é para tirar direito dos trabalhadores. Enquanto o PT continua lutando na defesa dos trabalhadores contra a reforma da previdência, contra a reforma trabalhista, contra a tentativa indiscriminada de terceirizações e as forças que defendem o governo Temer defendem essas posições que tiram direitos, o que tem se assistido é o que o PT volta a ter um apoio popular importante, tanto que as pesquisas mostram que nós subimos de 11% para 19% nas intenções de partido que as pessoas têm a intenção de votar, enquanto o PSBD e o PMDB, que tinham 9%, caíram para 5%. Isso também se traduz nas intenções de voto para presidente da república, onde o Lula aparece dispardamente na frente dos demais candidatos. Eu acho que uma parcela crescente está vendo que houve um golpe e que esse golpe era para retirar direitos dos trabalhadores e que nos governos Lula e Dilma as pessoas tiveram aumento da renda, tinham um emprego pleno, tiveram acesso à políticas públicas e consequentemente o PT volta a ser uma alternativa viável”.

Qual o posicionamento em relação ao plano de renegociação da dívida do Rio Grande do Sul?

“Em vez de resolver o problema da dívida, vai aumentar a dívida e ainda por cima vai vender parte do patrimônio, empresas lucrativas que são de propriedade do estado e, ao vender essas empresas lucrativas, o problema de finanças ainda vai se agravar, porque hoje uma parcela significativa do lucro dessas empresas como o Banrisul, Sul Gás, CEEE, vem para os cofres do Rio Grande do Sul. Nós queremos discutir um programa de governo que faça com que o Rio Grande do Sul retome o caminho do desenvolvimento. Já tivemos governos no estado do Rio Grande do Sul que conseguiam, mesmo com crise financeira, não atrasar salários, investir na saúde, fazer algumas obras, então nós queremos retomar o estado para esse tipo de situação”.

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