
O barulho das máquinas e ferramentas é constante na comunidade de Vila Rica, interior de Farroupilha. Os trabalhos de reconstrução não param um mês após a passagem de um tornado, no dia 23 de dezembro de 2025. Os moradores afetados ainda estão recuperando o que perderam, mas os estragos foram grandes.
A reportagem de Leouve esteve na região para verificar como estão os trabalhos de reconstrução na comunidade, nas casas e na Escola de Ensino Fundamental José Chesini, amplamente afetadas pela força da chuva com vento.
Em situação de emergência homologada tanto pelo Estado quanto pela União, o município estima que os estragos geraram um prejuízo de R$ 1,3 milhão. Ao todo, 19 casas foram atingidas, além da unidade escolar, galpões, um frigorífico e produções voltadas à agricultura.

O prefeito Jonas Tomazini (MDB) detalhou quais foram as primeiras frentes de trabalho do município na região do 3º distrito após o tornado.
“O nosso principal trabalho foi dar uma pronta resposta e o restabelecimento dos serviços básicos. Nos encontramos em um cenário onde não tínhamos acesso às vias, já que o trânsito estava interrompido, além da queda da energia elétrica e isso ocasionava problemas tanto no fornecimento de água quanto na questão da comunicação. Nas primeiras 24 horas nós trabalhamos para fazer estes restabelecimentos”, explicou Tomazini.
Ano letivo comprometido
A Escola de Ensino Fundamental José Chesini foi destelhada e, até agora, pouco avanço foi visto nas obras de reconstrução. Os 46 alunos matriculados na unidade vão ser remanejados para instituições próximas.
Conforme a assessoria da prefeitura de Farroupilha, os alunos serão realocados temporariamente para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Carlos Paese, a unidade mais próxima da comunidade, até a conclusão das obras. Durante esse período será garantido o transporte escolar aos estudantes.
Com a homologação da situação de emergência, será encaminhado um pedido formal para a obtenção de recursos destinados à reconstrução da escola. No entanto, independentemente do apoio do Governo Federal, o município já está elaborando um projeto de engenharia reforçado, garantindo maior segurança e sustentação da estrutura. Após a conclusão do projeto, serão seguidos os trâmites administrativos necessários para o início das obras.






Tempo fechado, medo constante
A casa de Analiz Zattera, de 53 anos, foi uma das que sofreram com o destelhamento. Ela, que mora com o filho e o marido, está reconstruindo o que foi levado pelo tornado. Ao Portal Leouve, ela conta que tudo foi muito rápido.
“A gente estava em casa, eu e meu filho. Como eu estava na parte debaixo, não escutei tanto o barulho e nem percebi o tamanho da fúria. Nem percebi que era um tornado, e foi muito rápido. Ele passou e a gente percebeu que o telhado estava no chão minutos depois, quando fomos na frente da casa, o telhado inteiro tinha saído da casa”, contou ela.

Zattera conta que pela época em que houve os transtornos, a dificuldade em conseguir os materiais de construção foi grande, por isso ainda existem obras em sua casa.
“A reconstrução é lenta, principalmente nesta época de final de ano, onde as pessoas estão de recesso nas empresas, então foi uma dificuldade de conseguir os materiais, por isso está demorado“, lamenta.

Por fim, Analiz afirmou que o receio com novos eventos climáticos como os vistos no final de dezembro é grande. A velocidade do vento chegou a cerca de 100 km/h.
“Em relação ao medo é uma coisa que vai ficar um bom tempo ainda. Agora toda vez que o céu fica escuro ficamos com medo de algum temporal ou algo que possa causar transtornos de novo”, afirmou.

Perdas pontuais na agricultura
Além das casas, da escola e galpões, a agricultura local teve perdas pontuais. Segundo o Secretário Municipal de Agricultura, Rennan Bondan, não chegaram até a pasta informações sobre problemas maiores. O único chamado foi na região da Linha Paese, onde uma cobertura teve danos.
A reportagem constatou que algumas parreiras de uva foram danificadas, incluindo a queda de cercas ao lado de moradias onde estavam os frutos.

O chefe do Executivo afirmou que o foco segue na reconstrução da localidade, principalmente da unidade escolar.
“Agora o nosso foco principal é na parte da reconstrução da Escola Municipal José Chesini, onde já temos um modelo de reconstrução definido e estamos trabalhando no projeto e nos recursos que já estão garantidos. Também nos colocamos à disposição das famílias e trabalhamos para a liberação do saque FGTS Calamidade, para que possam ter condições e recursos para fazerem reconstruções”, finalizou Jonas Tomazini.
Apesar dos danos e do medo que permanece, a comunidade busca retomar a normalidade, contando com apoio do município e com os recursos que estão sendo destinados à reconstrução.
Confira a reportagem: