
Investir na produção de uva de mesa é o sonho de muitos produtores que buscam diversificação e maior rentabilidade por hectare. No entanto, antes de apostar na atividade, é preciso entender que se trata de um sistema altamente técnico, intensivo em mão de obra e com elevado aporte inicial de capital. Dados da Embrapa indicam que, para cada hectare implantado, são necessárias em média de quatro a seis pessoas para dar conta das atividades ao longo do ciclo produtivo. Além disso, o investimento para estruturar um hectare com irrigação automatizada e cobertura plástica ultrapassa os R$ 300.000,00.
A viabilidade de investimento passa obrigatoriamente pelo planejamento detalhado do sistema produtivo. A uva de mesa exige pelo menos dez operações indispensáveis durante o ciclo reprodutivo. A nutrição, por exemplo, ocorre em três momentos estratégicos: na poda, na fase de chumbinho e na pós-colheita. A poda é realizada no período de dormência e determina o potencial produtivo do ciclo seguinte. Soma-se a isso os tratamentos para controle de pragas, patógenos e o ajuste nutricional das plantas, pilares para manter sanidade e qualidade de cachos.
Outras práticas determinantes incluem a desbrota, que elimina brotações indesejadas; a condução dos ramos; o raleio das bagas; o desnetamento; a aplicação de giberelina para aumento do tamanho das bagas; o desponte e, por fim, a colheita. Mesmo em sistema com irrigação automatizada, a mão de obra na viticultura continua sendo fator decisivo no custo de produção. Cada etapa mal executada impacta diretamente na padronização dos cachos e no valor final do produto no mercado.
Cultivares de Uva de Mesa e Adaptação Comercial
Para quem está começando na produção de uva de mesa, três cultivares se destacam pela boa adaptação e aceitação comercial: a Itália, tradicional e com sementes; a BRS Núbia, também com sementes e excelente coloração; e a BRS Vitória, sem sementes e com forte demanda no mercado consumidor. A escolha da cultivar deve considerar clima, mercado e logística de comercialização.
Viabilidade Econômica e Planejamento na Viticultura
Em termos produtivos, trabalha-se com uma média de 20 toneladas por hectare ao ano. A partir desse número, o produtor deve levantar o preço médio praticado na sua região para calcular a viabilidade econômica da uva de mesa. Quando bem conduzida, a atividade pode apresentar excelente retorno. Porém, sem gestão eficiente, controle rigoroso de custos e mercado definido, o que parecia uma oportunidade pode rapidamente se transformar em um desafio financeiro. No agronegócio, especialmente na viticultura, planejamento não é diferencial, é condição de sobrevivência.