
Era umas 19h30, havíamos chegado em casa da rotina diária do trabalho. Meu filho, no vigor e no auge do ápice da maturidade de seus 7 anos de idade, resolveu fazer um sanduíche com tudo que ele gostava. Então pega esta receita aí com estes ingredientes: pão francês, queijo, presunto, margarina, mostarda, umas quatro bolachas Oreo, tomate e batata palha. Não preciso dizer como acabou esta lambança. Não é possível fazer um sanduíche com tudo que se gosta. Existem combinações. Existem fronteiras gastronômicas. É bíblico: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém…”. A frase puxa para outro contexto, mas me permiti a alusão.
Cloud Computing, On-Premises, Deploy, Rollback, Downtime, Uptime, Scalability, High Availability, Failover, Disaster Recovery, Backup, Patch, Legacy System, Technical Debt, DevOps, Observability, Incident, Root Cause, Zero Trust, Framework, Governance, Compliance, SLA, KPI, OKR, Roadmap, Stakeholder, Benchmarking, Best Practices, Go Live, Change Management, Business Continuity, Vendor Lock-in, Cost Optimization, Performance Tuning, Capacity Planning, Access Control, Identity Management, Risk Assessment, Service Desk, Edge Computing, Serverless, Infrastructure as Code, Configuration Management, Version Control, GitOps, Feature Flag, Blue-Green Deployment, Canary Release, Site Reliability Engineering, MTTR, MTBF, Quality of Service, Content Delivery Network, Web Application Firewall, Security Information and Event Management, Security Orchestration Automation and Response, Data Loss Prevention, Extract Transform Load, Business Intelligence
A sopa de letrinhas da tecnologia, quando despejada sem critério, se parece muito com aquele sanduíche infantil: tudo o que se gosta junto, ao mesmo tempo, sem considerar o resultado. Cada ingrediente é bom isoladamente. Cada termo tem seu lugar. O problema não está nos elementos — está na combinação fora de contexto.
Existe uma desconexão sutil que acontece quando esquecemos que palavras também pertencem a ambientes. Elas carregam propósito, função e momento. Usar termos técnicos em excesso, em inglês, misturados a frases brasileiras, em conversas que pedem clareza, não é sofisticação. É ruído. É como sentar em uma feijoada e pedir leite condensado no prato.
Não é proibido. Mas claramente não convém.
A tecnologia criou uma cultura onde falar difícil virou sinônimo de saber mais. Onde empilhar conceitos parece sinal de domínio. Mas maturidade — técnica e humana — nasce quando entendemos onde estamos, com quem estamos e para quê estamos falando. Uma reunião com diretoria não é uma daily técnica. Um cliente não precisa de jargão para confiar. Um time júnior não aprende mais rápido porque o vocabulário ficou mais complexo.
Lugar importa.
Fronteiras da Linguagem e da Tecnologia
Assim como na gastronomia, na linguagem também existem fronteiras. Não porque algo seja errado, mas porque o excesso fora de contexto estraga o todo. DevOps não resolve problema de governança. Cloud não corrige falta de processo. Framework não substitui pensamento. Zero Trust não é palavra mágica — é postura.
Quando perdemos essa noção, nos desconectamos da realidade que nos rodeia. Passamos a falar para impressionar, não para comunicar. A tecnologia vira vitrine, não ferramenta. E o discurso técnico, que deveria esclarecer, passa a confundir.
Descomplicar a TI não é empobrecer o discurso. É respeitar o ambiente. É escolher bem os ingredientes. É saber que nem tudo que gostamos combina no mesmo prato — e que maturidade também se revela naquilo que escolhemos não colocar.
Porque no fim, não é sobre inglês ou português.
É sobre sentido.
Aprenda aí e já saia usando em casa para espantar sua família!
Glossário de Termos Técnicos
Cloud Computing = Usar servidores pela internet em vez de manter tudo dentro da empresa.
On-Premises = Sistema que roda dentro da empresa e é responsabilidade direta dela.
Deploy = Colocar uma nova versão do sistema para as pessoas usarem.
Rollback = Voltar o sistema para a versão anterior quando algo dá errado.
Downtime = Tempo em que o sistema fica fora do ar.
Uptime = Tempo em que o sistema funciona normalmente.
Scalability = Capacidade do sistema crescer ou reduzir conforme a demanda.
High Availability = Sistema desenhado para não parar mesmo quando algo falha.
Failover = Troca automática para um sistema reserva quando o principal cai.
Disaster Recovery = Plano para recuperar sistemas e dados após um desastre.
Backup = Cópia de segurança para evitar perda de dados.
Patch = Correção ou atualização aplicada ao sistema.
Legacy System = Sistema antigo que ainda sustenta o negócio.
Technical Debt = Problemas acumulados por decisões técnicas mal feitas no passado.
DevOps = Integração entre quem desenvolve e quem opera sistemas.
Observability = Capacidade de entender o que está acontecendo dentro do sistema.
Incident = Evento que impacta o funcionamento normal do sistema.
Root Cause = Verdadeira causa do problema, não apenas o sintoma.
Zero Trust = Modelo onde nada é confiável automaticamente, tudo precisa ser validado.
Framework = Estrutura de referência para organizar processos e decisões.
API = Forma padronizada de um sistema conversar com outro.
Microservices = Sistema dividido em partes pequenas e independentes.
Monolith = Sistema grande, único e centralizado.
Pipeline = Sequência automatizada para criar, testar e publicar sistemas.
CI/CD = Automação que testa e publica sistemas de forma contínua.
Container = Pacote que leva o sistema pronto para rodar em qualquer lugar.
Kubernetes = Ferramenta que organiza e escala containers automaticamente.
Load Balancer = Distribuidor de acessos para evitar sobrecarga em servidores.
Latency = Tempo de resposta entre o pedido e a resposta do sistema.
Throughput = Quantidade de operações que o sistema consegue processar.
Endpoint = Ponto de acesso de um serviço ou API.
Authentication = Processo de confirmar quem é o usuário.
Authorization = Definição do que o usuário pode acessar ou fazer.
Encryption = Proteção de dados para evitar acesso indevido.
Token = Chave temporária usada para autenticação.
Data Lake = Grande repositório de dados brutos.
Data Warehouse = Banco de dados organizado para análise.
Machine Learning = Sistemas que aprendem padrões a partir de dados.
Artificial Intelligence = Automação de decisões baseadas em dados e modelos.
Proof of Concept = Teste rápido para validar se uma ideia funciona.
Governance = Conjunto de regras para garantir controle e responsabilidade.
Compliance = Garantia de que normas e leis estão sendo seguidas.
SLA = Acordo que define níveis mínimos de serviço.
KPI = Indicador usado para medir desempenho.
OKR = Método para definir objetivos e resultados esperados.
Roadmap = Planejamento do que será feito ao longo do tempo.
Stakeholder = Pessoa ou área impactada pelo sistema ou projeto.
Benchmarking = Comparação com práticas do mercado.
Best Practices = Boas práticas reconhecidas e consolidadas.
Go Live = Momento em que o sistema entra em operação oficial.
Change Management = Gestão das mudanças para evitar impactos negativos.
Business Continuity = Capacidade de continuar operando mesmo em crises.
Vendor Lock-in = Dependência excessiva de um único fornecedor.
Cost Optimization = Ajuste de custos para gastar melhor com tecnologia.
Performance Tuning = Ajustes para melhorar o desempenho do sistema.
Capacity Planning = Planejamento da capacidade necessária para crescer.
Access Control = Controle de quem pode acessar o quê.
Identity Management = Gestão de usuários e identidades digitais.
Risk Assessment = Análise dos riscos envolvidos em sistemas e processos.
Service Desk = Ponto de atendimento para suporte aos usuários.
Edge Computing = Processamento de dados mais próximo do usuário ou dispositivo.
Serverless = Uso de serviços sem gerenciar servidores diretamente.
Infrastructure as Code = Infraestrutura criada e gerenciada por código.
Configuration Management = Controle das configurações dos sistemas.
Version Control = Controle das versões do código.
GitOps = Gestão da infraestrutura usando versionamento de código.
Feature Flag = Ativar ou desativar funcionalidades sem alterar o sistema.
Blue-Green Deployment = Publicação sem parar o sistema usando dois ambientes.
Canary Release = Liberação gradual de novas versões para poucos usuários.
Site Reliability Engineering = Prática focada em confiabilidade e estabilidade.
MTTR = Tempo médio para resolver um problema.
MTBF = Tempo médio entre falhas.
Quality of Service = Garantia de nível mínimo de qualidade.
Content Delivery Network = Rede que acelera a entrega de conteúdo.
Web Application Firewall = Proteção contra ataques em aplicações web.
Security Information and Event Management = Centralização e análise de eventos de segurança.
Security Orchestration Automation and Response = Automação da resposta a incidentes de segurança.
Data Loss Prevention = Prevenção contra vazamento de dados.
Extract Transform Load = Processo de extrair, tratar e carregar dados.
Business Intelligence = Análise de dados para apoiar decisões de negócio.