
Começou o BBB. Não que eu saiba quem são as pessoas do reality show ou assista, muito menos sei como funciona esse grande negócio. Mas nos últimos dias, em redes sociais e veículos de comunicação, se falava demais da conta do programa e das atitudes de um participante.
Todos os dias surge uma ‘noticia’ diferente, envolvendo gente que não temos a mínima ideia de quem são de verdade, ou o que fazem de produtivo ou importante na vida para merecer que estejamos falando (ou escrevendo) sobre elas. É o processo de Kardashianização do mundo, onde elevamos a um patamar de significância gente que nunca fez nem faz nada de útil, a não ser enriquecer as custas da exploração da nossa falta de seletividade e foco, bem guiados pelo algoritmo. Essencialmente o que fazem é esperar serem seguidos nas redes e que compremos os produtos indicados por eles. Quanto mais polêmica, mais engajamento, mais parceiros comerciais, então melhor.
Mas de onde sai essa vontade de saber tudo, nos mais sórdidos detalhes, sobre a vida alheia? Não são apenas das manchetes caça-atenção, com seus títulos que muitas vezes não tem nada a ver com o conteúdo, feitos apenas pra gente clicar pela curiosidades. Muito menos a identificação com aquela pessoa ali, montada e fazendo pose com bico de pato, usando o dinheiro que ganha sabe-se lá como e gastando em festas espetaculosas, roupas e objetos extravagantes enquanto exalta sua origem humilde.
A obsessão pelo outro, especialmente pela sua desgraça ou pela treta, faz a procura incessante e troca por informações irrelevantes um serviço de total inutilidade pública super eficiente. Não falta quem tome partido, crie brigas e persiga os desafetos dos desafetos. Tem quem tatue o nome, batize o filho ou insulte e ameace.
E enquanto nós discutimos se o BBB foi sacana por contar das traições que cometeu, essa gente inútil só enche mais os bolsos de dinheiro e a nossa vida continua, com os mesmo problemas e sem as mesmas necessárias reflexões. A gente se acostumou ou simplesmente acha mais fácil falar das inutilidades públicas do que saber o que está acontecendo na nossa comunidade?
A fofoca e o mundo bizarro
Eu posso citar mais vários casos que viralizaram, como os riquinhos em Florianópolis que espancaram um cachorro da comunidade até a morte, poderia falar das guerras mundo afora, do presidente de um certo país que pensa ser a reencarnação de Alexandre, o Grande mas está mais para Calígula, e se querem falar do BBB, analisar, responsabilizar e discutir o assédio cometido ao vivo, mas isso a gente não quer porque o bizarro não nos faz pensar nem nos posicionar, ele só nos faz fofocar sem se comprometer.