
Há um tema que há muito tempo toca profundamente o meu coração: não existe cuidado com o planeta sem aprendizado de autocuidado.
No episódio recente do Rastros, com Cassandra Marcon, da Cooperativa Vinícola Aurora, ela trouxe uma imagem simples e poderosa: e se pudéssemos sentar em um café e falar de Sustentabilidade como algo corriqueiro, parte natural da rotina?
Essa frase ficou comigo.
Porque sustentabilidade não deveria ser apenas pauta de relatório, reunião estratégica ou conferência técnica. Ela deveria fazer parte da conversa comum. Das decisões simples. Do cotidiano.
Onde a Sustentabilidade Começa
Mas talvez seja preciso ir ainda mais fundo.
Para mim, sustentabilidade começa antes dos indicadores. Antes das metas. Antes dos relatórios.
Ela começa na capacidade de sustentar o próprio ser.
Tenho acompanhado, ao longo dos últimos anos, profissionais extremamente competentes na área ambiental e na gestão pública. Pessoas dedicadas à construção de cidades resilientes, políticas responsáveis e projetos estruturantes. Gente que acredita genuinamente na transformação.
Mas também tenho observado algo recorrente: exaustão.
E aqui não há julgamento. Há constatação.
Recentemente conversei com uma profissional que atua justamente com sustentabilidade e cidades resilientes no setor público. Ama o que faz. Acredita na causa. Mas estava emocionalmente drenada.
A Busca por Liberdade e Respiro
Entre tensões institucionais, disputas silenciosas e a pressão constante por resultados, começou a questionar se o problema era financeiro. Se precisava ganhar mais para se sentir melhor.
Mas ao olhar com mais honestidade para suas prioridades, ficou claro que o que buscava não era apenas aumento de renda. Era liberdade.
Liberdade para viajar. Para ampliar repertório. Para conhecer outros contextos. Para respirar.
Ela ama o que faz. Mas estava deixando de sustentar quem ela é.
E então volto à pergunta essencial:
Como vamos cuidar da nossa casa comum se não sabemos cuidar da casa que habitamos?
O corpo que nos sustenta. A mente que decide. O coração que escolhe.
Liderança e Transformação Humana
Sustentabilidade vai muito além da agenda ambiental. Ela é capacidade de continuidade. É equilíbrio entre recursos e energia. É maturidade nas escolhas.
Depois de 14 anos atuando na área de liderança e sustentabilidade, posso afirmar com serenidade: grandes projetos se sustentam porque pessoas se sustentam.
Quando líderes estão emocionalmente exaustos, decisões encurtam. Quando equipes estão mentalmente sobrecarregadas, a inovação diminui. Quando não existe sustentabilidade interna, o discurso externo vira retórica.
Não acredito em transformação ambiental, social ou econômica sem transformação humana.
Porque tudo é feito de pessoas para pessoas.
Se queremos cidades resilientes, precisamos de pessoas resilientes. Se queremos empresas sustentáveis, precisamos de líderes sustentáveis. Se queremos continuidade, precisamos aprender a nos sustentar por dentro.
Talvez a pergunta não seja apenas se a organização é sustentável.
Mas se quem decide está sendo.