
A palavra que você escolher para completar a frase título da coluna diz mais sobre você do que sobre a própria frase.
Rivalidade, que por sinal rima com vaidade, vai muito além do time de futebol pra que se torce ou brigar pelo título de praia mais extensa do mundo.
Para usar as palavras do momento, a rivalidade pode ser disruptiva ou tóxica. Pronto, meu cérebro acabou de rivalizar com minha mão que automaticamente escreveu essas palavras de ambiente corporativo e social sem pensar na rivalidade do meu bom senso com meu pieguismo linguístico.
Mas chega disso e vamos ao que interessa, onde a coisa fede a pau e porrete, e a revólver e a facão, como diz o filósofo Porca Véia.
Tem duas cidades vizinhas na Serra Gaúcha, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, que rivalizam desde não sei quando. Teve a história das esculturas da praça que foram milagrosamente deslocadas (roubadas mesmo) para Caxias e expostas com um cartaz: Fuzimo de Bento. As esculturas foram repostas em Bento, o que resultou numa nova fuga, agora com um cartaz: Fuzimo de novo!
Lendas urbanas a parte, as fofocas e implicâncias seguem, com os de Caxias dizendo que Bento é o bairro mais desenvolvido de Caxias, e os de Bento dizendo que Caxias é o bairro mais industrializado de Bento.
Moradora de Caxias e frequentadora de Bento e do Vale dos Vinhedos, digo que os dois tem razão. E ao mesmo tempo não tem. Não precisa ser uma competição, não é um jogo de futebol que um deles tem que ganhar. Nesse caso, se um sobe, ajuda o outro a subir. Uma região unida trabalhando para o desenvolvimento consegue mais recursos para infraestrutura, visibilidade para atrair investimentos, turistas, e consequente e especialmente, qualidade de vida para os moradores.
Passei o final de semana em Bento, participando do Programa Sem Nome aqui, do Leouve, prestigiando a Maratona do Vinho, que teve 2.400 inscritos, com gente do mundo todo. Ainda no sábado, fui ao Jantar sob as estrelas, um evento de rua com música, comida, gente da cidade e turistas se divertindo. Um sucesso. No domingo, as pessoas saíam do hotel onde estava hospedada com sacolas e mais sacolas de vinícolas e comércio local.
Agora seja sincero, não é melhor juntar as qualidades e pensar em ações a longo prazo, eventos complementares e roteiros no melhor estilo “a união faz a força” do que rivalizar?
Me chamem de sonhadora e digam na minha cara que isso é utopia e nunca vai funcionar, mas prefiro ser uma utopista disruptiva do que uma conformada tóxica.