
Vivemos um tempo em que se cobra resultado como nunca e se esquece, com a mesma intensidade, de olhar para quem sustenta esse resultado. Talvez por isso estejamos tão cansados. E tão confusos.
Na conversa que tive com Paulo Cruz Filho no podcast Rastros, algo ficou muito claro: liderança não é apenas o que se faz. É, antes de tudo, um estado de ser.
O ser por trás do fazer
Passamos décadas treinando pessoas para executar melhor, decidir mais rápido, produzir mais. Mas quase nunca paramos para perguntar: quem é essa pessoa quando ninguém está olhando? Qual é o nível de consciência a partir do qual ela escolhe, reage e se posiciona?
Quando o ser não é olhado, o comportamento vira sintoma. Contrata-se pela competência e demite-se pela atitude como se atitude não fosse, justamente, a expressão mais direta do ser.
Liderança Integral e Saúde Mental
A liderança integral propõe algo simples e, ao mesmo tempo, profundamente desafiador: integrar sentir, fazer, estar e ter. Reconhecer que toda decisão nasce em um lugar interno muitas vezes invisível e que o resultado externo é apenas a última camada de um processo muito mais profundo.
Organizações adoecem quando tentam resolver problemas complexos com soluções rasas. Pessoas se esgotam quando precisam sustentar personagens para caber em sistemas que não comportam humanidade.
Talvez o futuro da liderança não esteja em novos modelos, cargos ou metodologias. Mas na coragem de ampliar o campo de visão. De reconhecer diferentes níveis de consciência. E de entender que maturidade não é abandonar o resultado é saber incluí-lo sem se perder de si.
Liderar, no fim, é aprender a estar inteiro. E isso muda tudo.