
Ao decidir construir ou reformar, uma dúvida comum paira no processo:
Há, realmente, a necessidade de manter no corpo de profissionais um engenheiro e um arquiteto? Somente um não é o suficiente? A realidade é que ambos fazem parte de uma engrenagem que deve ser compreendida por quem deseja realizar a obra, garantindo o sucesso em sua execução e conclusão.
A arquitetura é o ponto de partida, tendo em vista que o papel do arquiteto é traduzir os desejos, as necessidades e os sonhos do cliente da melhor forma possível. Cabe a nós, profissionais da área, definir o layout, o aproveitamento de espaços e a estética e isso é também uma questão de normas, já que de acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o engenheiro não pode desenvolver projetos arquitetônicos.
É aí que ocorre a parceria: o engenheiro entra em cena após a definição do projeto arquitetônico para viabilizar a sua execução por meio dos chamados projetos complementares, garantindo que a edificação funcione com segurança e eficiência em pilares essenciais: estrutura; rede elétrica e hidráulica; Projeto de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) e projetos de climatização, sonorização e até mesmo reaproveitamento de água da chuva.
Sincronia e diálogo garantem sucesso da obra
Arquiteto e engenheiro devem estar alinhados nos objetivos, garantindo a execução e conclusão da obra. A falta de comunicação entre os profissionais pode ser fatal no resultado final – e o papel do arquiteto é primordial nesse processo. Cabe a nós a coordenação das equipes de engenharia para que as soluções técnicas não prejudiquem o resultado final sonhado pelo cliente. O arquiteto domina o layout para orientar o engenheiro a buscar sempre alternativas que mantenham a segurança e a estética desejada. Daí a importância de trabalhar em conjunto desde o início do processo, verificando sempre a viabilidade de cada ideia, evitando retrabalhos ou custos inesperados.
Para uma melhor compreensão, convido o leitor a imaginar a obra como um organismo vivo, onde a arquitetura traz a alma e a função, enquanto a engenharia traz a estrutura para que tudo isso funcione, caminhando sempre em harmonia.
Exemplos práticos e próximos
Para que você entenda como esse casamento entre arquitetura e engenharia funciona no dia a dia aqui na Serra Gaúcha, te convido a pensar em dois cenários: O primeiro, nossas vinícolas e pavilhões, queridinhas também do enoturismo: ao projetar um espaço de varejo ou uma cave, a arquitetura define o fluxo do turista e a estética que valoriza a marca. Imediatamente, entra a engenharia com o PPCI (Plano de Prevenção Contra Incêndio) e projetos de acessibilidade, fundamentais para a liberação de alvarás e segurança do público. Sem essa conversa, um sensor ou uma rampa mal posicionada pode arruinar o visual de um projeto que foi cuidadosamente pensado.
Agora, vamos às casas: Em cidades como Bento Gonçalves, sofremos com o rigor do inverno. Dessa forma, não basta ter uma casa bonita, ela precisa ser funcional com definições de layout feitas pelo arquiteto que contemple a luz solar, por exemplo. Enquanto isso, a engenharia desenvolve projetos de climatização e aquecimento. É essa integração que garante que o sistema de calefação ou piso aquecido seja eficiente sem interferir no design dos ambientes.
Arquitetura e engenharia devem caminhar juntas. Quando o cliente compreende que o arquiteto é o “maestro” que coordena o elétrico, o hidráulico, o estrutural e até a sonorização, ele evita o desperdício financeiro e de tempo.