Caixa de madeira cheia de morangos frescos sendo carregada por uma pessoa.
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Produzir morangos de qualidade exige muito mais do que plantar e colher. O manejo do morango começa pela leitura correta das condições ambientais, fator decisivo para produtividade e sabor. O morangueiro necessita de, no mínimo, seis horas diárias de luz solar direta para expressar seu potencial produtivo, além de temperaturas amenas, que variam entre 13 °C e 26 °C. Fora dessa faixa, a planta sofre estresse, reduz florescimento e compromete a qualidade dos frutos, especialmente em regiões de clima mais quente.

Outro ponto estratégico está na escolha das mudas e cultivares. Trabalhar com mudas certificadas é fundamental para reduzir problemas fitossanitários desde o início do ciclo. As cultivares de dias curtos (BRS Fênix, Pircinque e Osso Grande) são indicadas para regiões com inverno bem definido, concentrando a produção, enquanto as de dias neutros (Flórida Beauty, Albion, Monterey, Royal Royce e San Andreas) permitem colheitas mais prolongadas ao longo do ano. Essa decisão interfere diretamente no planejamento da safra, na mão de obra e na rentabilidade do sistema.

Manejo do Solo e Nutrição do Morangueiro

O manejo do solo e do substrato também merece atenção especial. Solos bem estruturados, com boa drenagem e ricos em matéria orgânica favorecem o desenvolvimento radicular e reduzem problemas com doenças. Em cultivos fora do solo, a escolha do substrato deve priorizar equilíbrio entre retenção de água e aeração, garantindo ambiente adequado para raízes saudáveis e maior eficiência no uso de água e nutrientes.

Quando falamos em nutrição do morangueiro, precisão é a palavra-chave. A adubação deve ser equilibrada, ajustada às fases fenológicas da cultura e sempre monitorada por meio da condutividade elétrica. Manter o EC entre 0,8 e 1,2 mS, variando conforme a carga produtiva e as condições climáticas, evita tanto deficiências quanto excessos nutricionais, que podem comprometer a produção e aumentar a incidência de doenças.

Irrigação e Práticas Fitossanitárias

A irrigação precisa ser uniforme e bem manejada, mantendo o solo ou substrato constantemente úmido, sem encharcamento. Sistemas mal regulados geram desuniformidade nutricional, favorecem patógenos de solo e impactam diretamente a qualidade dos frutos. O uso de gotejamento bem dimensionado é uma das práticas mais eficientes para garantir regularidade hídrica e sanidade da lavoura.

Por fim, o manejo fitossanitário e as práticas culturais completam o sistema produtivo. A poda de folhas velhas, a retirada de frutos doentes e a colheita realizada nas primeiras horas da manhã contribuem para reduzir perdas e preservar a qualidade pós-colheita. No cultivo do morango, o sucesso está nos detalhes: planejamento, monitoramento constante e decisões técnicas bem fundamentadas transformam desafios em produtividade e frutos de alto valor no mercado.