
Verão, férias, virada de ano. Milhares de pessoas se deslocam para o mesmo destino em busca do mesmo desejo: descanso, natureza, mar limpo, água clara, paisagens preservadas.
Mas, ao mesmo tempo, o que se vê em muitas praias é o oposto desse desejo. Resíduo espalhado pela areia, garrafas de vidro, plásticos, restos de comida. Águas impróprias para banho, aumento de viroses, pessoas doentes voltando para casa com a sensação de que “a praia estava contaminada”.
E estava.
Mas não por acaso.
A contaminação das praias é consequência.
Consequência de esgoto não tratado.
Consequência de falta de planejamento urbano.
Consequência de municípios que não conseguem suportar, sozinhos, a explosão populacional do verão.
E, principalmente, consequência do comportamento humano.
É fácil apontar o dedo para o poder público. É necessário, sim, cobrar políticas públicas, saneamento, infraestrutura. Mas existe um passo antes, e ele é individual.
Quando vemos residuo na praia, não estamos apenas diante de um problema ambiental. Estamos diante de um retrato social. Um retrato de uma sociedade que ainda terceiriza responsabilidades básicas. Que consome, descarta e espera que alguém recolha depois. Como se o resíduo não fosse nosso. Como se o impacto não fosse coletivo.
Algo tão simples quanto levar uma sacola, caminhar alguns passos até uma lixeira ou trazer o lixo de volta deveria ser automático. Mas não é. E isso diz muito sobre o quanto ainda precisamos evoluir enquanto sociedade.
Todos queremos passar o verão em praias limpas, com água própria para banho, com natureza preservada. Concordamos nisso. Mas esse cenário não se sustenta apenas no desejo. Ele se sustenta em atitudes.
Porque, com o tempo, quando muitos ocupam um espaço sem consciência, aquele lugar deixa de ser paraíso e passa a ser problema. O que era natureza vira descaso. O que era descanso vira risco à saúde.
Queremos viajar para praias limpas, para locais onde a natureza ainda está inteira. Mas, no dia a dia, muitos não se comportam como guardiões desses lugares. E não há coleta, fiscalização ou mutirão que resolva isso sem mudança de comportamento.
Na semana passada, falei sobre sustentabilidade humana. Sobre esse lugar de se sustentar, de se cuidar, de desenvolver consciência interna para então cuidar do planeta. E sigo acreditando nisso.
As questões ambientais e sociais não começam no lixo da praia.
Elas começam nas pessoas.
A verdadeira mudança vem quando entendemos que não adianta cobrar que “alguém faça a nossa parte”. A pergunta que precisamos nos fazer é mais simples — e mais incômoda:
Qual é a minha responsabilidade nisso tudo?
Porque praia limpa não é sorte.
É consequência de escolhas conscientes, repetidas todos os dias.