
Em muitos vinhedos, o problema começa de forma discreta: folhas com clorose internerval, cachos menos desenvolvidos e maturação desuniforme. Por trás desses sintomas, a deficiência de magnésio pode estar comprometendo não apenas a produtividade, mas também o potencial qualitativo das uvas. O magnésio é componente central da molécula de clorofila e fundamental na fotossíntese e no transporte de fotoassimilados para os cachos. Quando falta, a planta perde eficiência energética justamente nas fases mais decisivas do ciclo.
A causa mais óbvia é a baixa disponibilidade de magnésio no solo, mas nem sempre o diagnóstico é tão simples. Excesso de potássio, cálcio, amônio ou até alumínio pode provocar desequilíbrio iônico e dificultar a absorção do nutriente, mesmo quando ele está presente em níveis aparentemente adequados. Por isso, a análise de solo continua sendo a ferramenta mais segura para identificar a real origem do problema e orientar uma correção precisa. Sem esse diagnóstico técnico, o produtor corre o risco de tratar o sintoma e não a causa.
Outros fatores agravam o cenário. Plantas afetadas por patógenos, principalmente viroses, apresentam sistema vascular comprometido e menor capacidade de absorção e redistribuição de nutrientes. Excesso de carga produtiva também pode drenar reservas e intensificar a deficiência. O clima exerce papel decisivo: dias nublados reduzem a fotossíntese, estiagens prolongadas limitam o fluxo de nutrientes, e temperaturas muito baixas ou elevadas afetam o metabolismo da videira. Em cultivo protegido, o problema se acentua quando o plástico está sujo ou com baixa transmissão de luz, associado a manejo inadequado da irrigação combinação que reduz atividade radicular e favorece o desequilíbrio nutricional.
Estratégias de Prevenção
Prevenir é sempre mais eficiente do que remediar. Manter o pH do solo corrigido próximo de 6,0 favorece a disponibilidade equilibrada de nutrientes e reduz a interferência do alumínio. Nutrição balanceada, evitando excessos de potássio, cálcio e fontes amoniacais, irrigação ajustada à demanda da cultura e controle rigoroso da carga produtiva são estratégias fundamentais. Somam-se a isso a manutenção da sanidade do vinhedo e a garantia de boa luminosidade, especialmente em ambientes protegidos.
Equilíbrio do Sistema
No fim das contas, a deficiência de magnésio nos cachos é reflexo de um sistema que perdeu o equilíbrio. A videira responde diretamente ao manejo que recebe. Quando solo, nutrição, água, sanidade e luz trabalham em harmonia, a planta expressa seu máximo potencial e os cachos mostram isso em qualidade, uniformidade e produtividade.