
Por Maurício Gimenes
Existe uma ideia muito comum quando o assunto é golpe digital: “Isso nunca aconteceria comigo.”
Afinal, você é atento, trabalha, estuda e se considera uma pessoa inteligente.
Mas aqui vai uma verdade desconfortável: inteligência não é antídoto contra golpe virtual. Os crimes digitais mais comuns hoje não exploram falta de conhecimento técnico. Eles exploram algo muito mais simples — e muito mais humano: distração. O criminoso não invade seu celular.Ele testa sua atenção e invade seus pensamentos.
E isso explica por que graduados, médicos, advogados, empresários, professores e pessoas extremamente capacitadas e qualificadas caem em golpes todos os dias.
O erro está em como a gente imagina o golpe
Muita gente ainda imagina o golpe como algo “mal feito”:
- um e-mail cheio de erro,
- uma mensagem estranha,
- algo fácil de identificar.
Mas isso ficou no passado! Hoje, o golpe parece normal. A mensagem é educada, o texto é bem escrito e o pedido faz sentido dentro da sua rotina.E é exatamente aí que mora o perigo!
O criminoso não começa do zero
Um dos grandes motivos para tanta gente cair em golpe é que o criminoso não começa a conversa simplismente de forma instantânea, ele já sabe algo sobre você.
Seu nome, telefone, onde você trabalha, quem são seus contatos. Com dados vazados e redes sociais abertas, o golpista entra na conversa com uma história convincente e estruturada. E quando alguém fala com você como se já te conhecesse, a desconfiança diminui.
Pressa, medo e autoridade: o trio do golpe
Quase todo golpe bem-sucedido tem três ingredientes:
- Pressa: “é agora”, “vence hoje”, “última chance”
- Medo: “bloqueio”, “pendência”, “problema na conta”
- Autoridade: “sou do banco”, “sou da empresa”, “sou alguém confiável”
Quando esses três aparecem juntos, o cérebro entra no modo automático. E no automático, a gente age sem conferir.
Não é falta de conhecimento, é distração.
Aqui vai um ponto importante: cair em golpe não é sinônimo de burrice. É sinônimo de distração, confiança excessiva ou rotina acelerada.
O criminoso sabe disso. Ele não tenta te enganar quando você está calmo. Ele espera que você esteja ocupado.
A defesa mais simples é mudar o hábito
Você não precisa entender tecnologia para se proteger melhor.
Precisa só de um novo reflexo:
- Desconfie de qualquer pedido urgente
- Confirme por outro canal
- Nunca aja no impulso
- Leia com calma antes de pagar, clicar ou responder
Segurança digital, no dia a dia, é muito menos sobre tecnologias que protegem e muito mais sobre profunda atenção.
No fim das contas, a pergunta não é “sou inteligente o suficiente para não cair em golpe?”.
A pergunta certa é: eu estou atento o suficiente para não agir no automático?