
Começo coluna com uma afirmação que pode decepcionar o leitor: planta baixa não é projeto. O projeto arquitetônico é um conjunto de plantas, de cortes, de fachadas. A planta baixa é apenas um desenho em duas dimensões, uma vista de cima, como se estivéssemos olhando para uma casa por cima dela. Um projeto arquitetônico de verdade é um conjunto vivo de informações que guia do sonho à entrega das chaves.
Para quem está planejando construir, é fundamental entender as etapas do processo, evitando dores de cabeça e desperdício de dinheiro. Afinal, quanto mais informações tivermos na obra, menos problemas podem ocorrer. Um projeto completo nasce de uma conversa entre profissionais e cliente, amadurecendo em fases bem definidas: Briefing, que é o momento em que o cliente expressa tudo o que precisa e sonha para o espaço; Layout Inicial, que é quando transformamos o briefing em croquis e estudos de volume; Anteprojeto, que é a fase de detalhamento, definição de plantas, cortes e fachadas para aprovação do cliente mediante discussão de cada detalhe e, por fim, o Projeto Executivo e Legal, que consiste na aprovação na prefeitura e órgãos públicos. Esse projeto é o que vai para o canteiro de obras com todos os detalhes de estrutura, hidráulica e elétrica integrados.
Por que o 2D não basta?
Para entender uma casa de verdade, precisamos vê-la em todos os ângulos. A planta baixa dá a visão horizontal e os cortes e as vistas nos dão a ideia da parte vertical da obra. Somado a isso, hoje utilizamos tecnologias que geram modelos em 3D, permitindo que cliente e construtor visualizem a obra pronta antes mesmo do primeiro tijolo ser assentado. Eu gosto de dizer que o projeto detalhado é a “Bíblia” da Obra, porque ela guiará executores para garantir que nada saia errado.
Isso tudo ganha uma importância ainda maior em regiões como a nossa, onde terremos acidentados são comuns e seguir o projeto à risca é uma questão de competência e legalidade. Os cortes verticais de um projeto são ainda mais cruciais para entender as movimentações de terra e os níveis adequados das edificações. Quanto mais informação tivermos no canteiro de obras, menos problemas teremos durante a execução.