
Em conversas recentes com pessoas da área ambiental, uma frase ainda aparece com frequência quando o tema entra na pauta estratégica: “Quanto isso vai custar para a empresa?”
Gestão de resíduos. Controle de efluentes. Monitoramento de água e energia. Investimentos sociais. Governança e compliance. Mesmo quando falamos de sustentabilidade de forma mais ampla, ambiental, social, econômica e governança, ainda é comum que o olhar inicial recaia sobre o custo.
E é aqui que mora uma distorção estratégica. Sustentabilidade não é apenas a dimensão ambiental. Ela integra fatores ambientais, sociais e econômicos, organizados por uma governança que sustenta decisões de longo prazo. O ESG não deveria ser um setor isolado, ele é um modelo de gestão que atravessa toda a cadeia produtiva.
A Transição do Custo para a Eficiência Operacional
Quando essa lógica é compreendida, a pergunta deixa de ser “quanto custa?” e passa a ser: “O que estamos deixando de ganhar por não gerir melhor nossos recursos e processos?” Porque todo resíduo já foi matéria-prima. Todo desperdício já foi recurso natural. Toda ineficiência operacional tem impacto financeiro.
Se um material está sendo destinado como resíduo, ele entrou antes como insumo pago. Se há consumo excessivo de água ou energia, há margem sendo comprometida. Se há falhas sociais ou de governança, há risco reputacional e estratégico. Reduzir desperdício não é apenas proteger o meio ambiente. É proteger margem. É proteger competitividade. É proteger a perenidade do negócio.
A economia circular, quando incorporada à estratégia, não é marketing. É inteligência aplicada ao fluxo produtivo. É revisão de processo. É indicador acompanhado. É decisão baseada em dados.
O Papel da Liderança e a Mudança de Cultura
Mas há algo que costumo reforçar em minhas aulas e conversas com lideranças. Muitas vezes o problema não está na tecnologia, está na cultura. O desperdício pode não estar na máquina, mas na falta de clareza de procedimento. Pode não estar no equipamento, mas na ausência de treinamento. Pode não estar no investimento, mas na falta de consciência sobre o impacto das decisões.
E aqui entra o papel da liderança. Sustentabilidade como gestão exige líderes capazes de conectar processo, pessoas e resultados. Exige maturidade para compreender que recurso natural é ativo estratégico. Exige visão sistêmica para entender que ambiental, social e governança não competem com o financeiro, elas fortalecem o financeiro.
Não se trata de romantizar o tema. Trata-se de profissionalizá-lo. Quando a sustentabilidade é tratada apenas como obrigação legal, ela pesa. Quando é tratada como ferramenta de gestão estratégica, ela performa.
Performance e Resultado Sustentável
E aqui está um ponto central. Performance não é apenas atingir metas de curto prazo. Performance é alinhar consciência, convicção e coerência estratégica com execução disciplinada. É transformar eficiência ambiental em eficiência econômica e maturidade de liderança. É integrar pessoas, processos e indicadores para gerar resultado sustentável de verdade.
No fim, sustentabilidade não é custo. É inteligência aplicada à gestão estratégica. E liderança é a escolha de integrar aquilo que a organização é com aquilo que ela faz, para que os resultados não sejam apenas imediatos, mas sustentáveis. Porque no futuro dos negócios, não sobreviverá quem apenas cresce, mas quem aprende a crescer com consciência e coerência no que diz e faz.