Mão tocando uma muda de planta em vaso com sistema de irrigação por gotejamento.
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No ciclo final de maturação das uvas, uma das dúvidas mais recorrentes no campo é se vale ou não a pena manter a irrigação. A resposta, como quase tudo na agricultura, não é absoluta. Análises do balanço hídrico dos últimos 20 anos mostram que trabalhar com irrigação nas videiras tem se mostrado viável e estratégico para não comprometer a produtividade, especialmente em anos de irregularidade climática e veranicos prolongados.

Essa fase final do ciclo produtivo exige atenção redobrada, pois a planta demanda volumes significativos de água para garantir a maturação adequada, a boa circulação de nutrientes e a uniformidade das bagas. É nesse momento que o estresse hídrico pode resultar em cachos desuniformes, queda de calibre e prejuízos diretos à qualidade. Em pomares fechados, a necessidade hídrica gira em torno de 5 a 7,5 litros por metro quadrado de área foliar, o que pode representar uma demanda diária entre 50.000 e 75.000 litros.

A Importância do Monitoramento na Irrigação de Uvas

No entanto, tão importante quanto irrigar é saber quanto irrigar. O excesso de água pode ser tão prejudicial quanto a falta, favorecendo problemas fisiológicos, diluição de açúcares e até maior incidência de doenças. Por isso, o monitoramento constante da umidade do solo é indispensável para decisões assertivas nessa etapa crítica do manejo.

Ferramentas simples e eficientes devem fazer parte da rotina do produtor. A tradicional técnica do “solo na mão”, observando a formação e a coesão do torrão, ainda é válida, mas pode ser complementada com o uso do tensiômetro. Manter o solo próximo de 30 kPa tem se mostrado uma referência segura para assegurar água disponível às raízes sem comprometer a aeração.

Para uma boa produção, as plantas precisam de equilíbrio: ar, nutrientes e água no sistema radicular. Quando a irrigação ou a fertirrigação é realizada de forma correta, cria-se o ambiente ideal para que a videira expresse seu potencial produtivo até o último dia do ciclo. No fim das contas, não se trata apenas de ligar ou desligar o sistema, mas de entender que, nessa fase, a água pode ser a aliada silenciosa que define o sucesso da safra.