
O varejo do Rio Grande do Sul esteve mais uma vez presente no maior evento do setor no mundo, a NRF Retail’s Big Show 2026, realizada de 11 a 13 de janeiro, em Nova Iorque. Para o presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, o caxiense Ivonei Pioner, existe a convicção de que o varejo global vive um momento de consolidação de tendências que já impactam diretamente o presente do setor – e não mais apenas o futuro. A feira reafirmou que não existe mais separação entre varejo físico e digital: existe apenas varejo, impulsionado por tecnologia e centrado em pessoas.
Na visão de Pioner o principal destaque desta edição foi o amadurecimento definitivo da inteligência artificial (IA) como ferramenta estratégica e acessível.
“A IA deixou de ser hype. Ela está embutida nas operações, no marketing, na gestão e, principalmente, na relação com o cliente. Quem não tiver tecnologia integrada ao seu negócio terá dificuldade de prosperar”, avalia.
Segundo ele, o lançamento global do conceito de Agentic Commerce pelo Google, anunciado durante a NRF pelo próprio CEO da empresa, simboliza esse novo momento do varejo empoderado por dados, personalização e atendimento digital inteligente.
“A IA vem para ajudar a humanizar mais ainda a nossa relação, a termos dados cada vez mais precisos e a fazer uma relação com o cliente muito mais fluida”, continua.
Outro ponto fortemente sinalizado na feira foi a centralidade das pessoas. A tecnologia, segundo os executivos da Federação, surge como meio para liberar tempo e energia para aquilo que realmente gera valor: relacionamento, confiança e experiência.
“A IA chega para agilizar processos, ser agente de venda, pesquisador, assistente. E a pessoa passa a ser criadora de vínculo, construtora de confiança e de memórias”, destaca o vice-presidente da Federação Varejista do RS, Marcos Carbone.
A geração Z esteve no centro das discussões. Mais do que um novo público consumidor, trata-se de uma geração que deseja pertencer, participar e cocriar. Cases apresentados na NRF mostraram empresas que envolvem clientes jovens no desenvolvimento de produtos, na curadoria de experiências e na definição de tendências.
“Se não fizer sentido para essa geração, não haverá negócio. Eles precisam se reconhecer na marca, na causa e na experiência”, reforça Ricardo Bartz, diretor de crescimento e expansão da Federação.
A integração entre canais também foi consenso. Na NRF, não se fala mais em loja física versus loja digital. O digital é o espaço da conversa, da comunidade e da escolha; o físico é o lugar da experiência, do relacionamento e da construção de confiança. Estratégias como lojas com cafeterias, microeventos, experiências sensoriais e comunidades de marca foram apresentadas como formas eficazes de aumentar o tempo de permanência do cliente e, consequentemente, o ticket médio.
Um contraste marcante percebido pela comitiva gaúcha, também integrada, pelo presidente da CDL de Bento Gonçalves, Marcos Carbone, foi a questão da mão de obra. Diferentemente da realidade brasileira, o tema da escassez não apareceu como problema nos Estados Unidos. Jovens motivados, preparados e engajados estavam presentes em grande número nas operações varejistas, reforçando a visão de que o desafio no Brasil passa mais por fatores culturais, educacionais e estruturais do que geracionais.