
O que antes era visto como “mato seco”, hoje é uma das vitrines mais produtivas do agronegócio brasileiro. No Vale do São Francisco, a técnica da fertirrigação (adubação via água) transformou o semiárido em um dos maiores polos exportadores de frutas do planeta, ente elas a uva. Diferente da tradição da Serra Gaúcha, onde a safra é anual e depende das estações, no Nordeste o “relógio” quem dita é o produtor.
O Milagre da água e do sol
O sistema é uma engrenagem de alta precisão que utiliza a água do Rio São Francisco para alimentar parreirais que nunca dormem:
- Produção Contínua: Com sol constante e água controlada por gotejamento, uma videira pode ser colhida apenas 110 dias após a poda. Isso permite escalonar a produção para ter uvas frescas nas gôndolas em todos os meses do ano.
- Escala Familiar: Um exemplo da pujança da região é uma única família que cuida de 40 mil pés de uva em 38 hectares, operando em um ciclo de 365 dias por ano.
- Variedades Brasileiras: O foco está nas uvas de mesa (sem sementes), com destaque para variedades desenvolvidas pela Embrapa, como a Vitória e a Isis, que conquistaram mercados exigentes na Europa e Ásia.
Tecnologia de solo e segurança alimentar
Para vencer o solo arenoso da Caatinga, os produtores investem pesado em biotecnologia:
- Microbiota Ativa: Uso de fungos e bactérias benéficos para fortalecer as raízes.
- Sustentabilidade: Controle rigoroso de resíduos para atender às normas de exportação, garantindo uma fruta saudável para o consumo imediato.
- Logística: Petrolina e Juazeiro tornaram-se centros logísticos, onde a fruta sai do parreiral, passa pelo packing house (embalagem) e segue direto para os portos e aeroportos.
Vale do São Francisco vs. Serra Gaúcha
Enquanto a nossa Serra Gaúcha se especializa cada vez mais no enoturismo e em vinhos finos de terroir, o Vale do São Francisco domina o mercado de uvas de mesa e mangas. É a prova de que o Brasil possui dois modelos de vitivinicultura potentes, distintos e complementares.