O movimento, que começou de forma tímida em anos anteriores, consolidou-se em 2026. (Foto: Reprodução)
O movimento, que começou de forma tímida em anos anteriores, consolidou-se em 2026. (Foto: Reprodução)

A colheita da uva na Serra Gaúcha ganhou um sotaque portenho definitivo. Luciano Rebellatto, presidente do Consevitis-RS, confirmou que os argentinos lideram a mão de obra estrangeira nesta temporada. O movimento, que começou de forma tímida em anos anteriores, consolidou-se em 2026 como uma solução estratégica para os produtores locais.

Por que os argentinos?

A vinda de trabalhadores do país vizinho é impulsionada por dois fatores principais:

  • Crise Econômica: A desvalorização do peso argentino torna o ganho em reais muito atrativo para as famílias que vêm das províncias vizinhas.
  • Mão de Obra Qualificada: Muitos já possuem experiência com a cultura da uva em regiões como Mendoza e se adaptam rapidamente ao sistema de colheita gaúcho.

Diferentes Sotaques no Campo

A safra de 2026 apresenta uma divisão curiosa e organizada na Serra:

  • Nos Parreirais (Uva): Predomínio de argentinos, que buscam a formalização para garantir o sustento de suas famílias.
  • Nos Pomares (Maçã): Predomínio de indígenas, especialmente vindos do Mato Grosso do Sul e do norte do RS.

Expectativa Recorde

Rebellatto reforça que a hospitalidade com os estrangeiros se justifica pelos números: a projeção é de que o RS colha até 900 milhões de quilos de uva, um crescimento de 15% em relação ao ano passado. Com tanta fruta no pé e um pico de maturação concentrado em fevereiro, o reforço internacional é o que garante que a uva chegue às cantinas no tempo certo.