
O CTG Sentinela da Serra, em Garibaldi, desenvolve um trabalho contínuo de preservação da cultura gaúcha por meio de cinco invernadas artísticas, que reúnem crianças, jovens e adultos em atividades culturais, sociais e educativas, com participação em eventos e ações junto à comunidade.
O centro tradicionalista foi fundado em 9 de maio de 1981, quando um grupo de moradores liderado por Ercílio José Flores se reuniu para criar uma entidade dedicada ao cultivo das tradições gaúchas na cidade. O nome Sentinela da Serra foi sugerido por Alcione Machado e aprovado pelos presentes, marcando o início das atividades da entidade que, ao longo das décadas, se tornou referência em eventos culturais, festivais e rodeios na região.
Atualmente a entidade é liderada pelo patrão Roque Pianezzola, com direção do departamento artístico assumido por Simone Vrielink Piacentini, além da atuação do instrutor Gilberto Bittencourt e dos coordenadores de cada invernada. Segundo Bittencourt, a estrutura permite organizar o trabalho coletivo e acompanhar o desenvolvimento dos grupos em diferentes fases da vida.
A origem das invernadas no movimento tradicionalista
As invernadas artísticas surgem com a consolidação do movimento tradicionalista gaúcho, a partir do final da década de 1940, período marcado pela criação dos primeiros Centros de Tradições Gaúchas. Organizadas para preservar e transmitir as danças, a música e os costumes do Rio Grande do Sul, passaram a estruturar a participação cultural dentro dos CTGs, geralmente divididas por faixas etárias. Ao longo das décadas, consolidaram-se como espaços de formação cultural e social, responsáveis por manter vivas as tradições e representar as entidades em festivais, rodeios e eventos culturais..
No Sentinela da Serra, esse papel se reflete no caráter social das invernadas.
“Elas agregam crianças, jovens, adultos e também pais, avós e familiares, formando uma comunidade em torno da tradição”, afirma Gilberto Bittencourt.
Conforme o instrutor, a dança é o meio pelo qual valores como disciplina, respeito, trabalho em equipe, liderança e convivência com as diferenças são trabalhados diariamente.
Atuação e Resultados do CTG Sentinela da Serra
O ano de 2025 foi marcado por resultados positivos. Todas as invernadas conquistaram premiações nos eventos dos quais participaram, somando mais de 17 reconhecimentos ao longo do período.
“É um retorno do esforço coletivo. Alunos, instrutores, coordenadores e famílias constroem isso juntos”, destaca Bittencourt.






O grupo juvenil manteve trajetória de crescimento iniciada em 2023. Em 2025, participou pelo segundo ano consecutivo do Juvenart, em Santa Maria, levando uma temática voltada à imigração italiana e aos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Segundo o instrutor, manter jovens no tradicionalismo exige esforço constante.
“Não é simples atrair e manter a juventude, mas temos um grupo comprometido e em evolução”, relata.
Entre os desafios do ano estiveram momentos difíceis enfrentados no início de 2025 e a mobilização necessária para viabilizar a participação no Juvenart. De acordo com Bittencourt, o principal desafio cotidiano é manter os grupos unidos e focados em objetivos comuns.
“As pessoas pensam e agem de formas diferentes. Construir um coletivo exige diálogo, união e persistência”, afirma.
Para 2026, a expectativa é de continuidade no crescimento e ampliação da participação em eventos de nível estadual.
“Há projetos e objetivos importantes em construção, que serão divulgados conforme forem confirmados”, explica o instrutor, ao destacar que a entidade busca consolidar seu espaço no cenário tradicionalista.




Engajamento Comunitário e Formação de Novos Integrantes
Além das apresentações, o CTG atua diretamente na comunidade por meio do Departamento Cultural, com ações em escolas, eventos comunitários e atividades durante a Semana Farroupilha. Mesmo localizado fora do centro urbano, no Parque da Fenachamp, o Sentinela da Serra busca levar a cultura tradicionalista para mais perto da população.

Atualmente, a entidade mantém cinco grupos: iniciantes, pré-mirim, mirim, juvenil e adulto. O grupo de iniciantes, voltado a crianças a partir de seis anos, passa a ter um formato ampliado, com ensinamentos sobre chimarrão, indumentária, símbolos do Rio Grande do Sul, ritmos básicos e noções culturais. No total, as invernadas reúnem entre 85 e 95 integrantes.
“Não é só dança. É formação para a vida”, resume Gilberto Bittencourt.
O convite para integrar as invernadas segue aberto à comunidade, como forma de preservar, fortalecer e dar continuidade às tradições gaúchas em Garibaldi. Mais informações nos telefones, (54) 99995-4217 ou (54) 99139 6656.